Chuvas devem aumentar na segunda quinzena de outubro
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de outubro de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

De forma técnica, depois uma seca intensa como essa, o solo encontra-se com a tensão de água no que se chama ponto de murcha permanente (PMP). Para o plantio, o solo tem de estar no mínimo na capacidade de campo (CC), com a água livre. Portanto, a umidade ideal do solo é aquela que precisa levar a água disponível do PMP para o o CC.
Na região de Londrina, isso de forma geral não aconteceu durante o mês de setembro, quando a janela de plantio de soja iniciou. Segundo dados da Agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em setembro choveu na casa dos 53 milímetros (mm), enquanto a média está na casa dos 117 mm. “Vale reforçar que em todos os meses do ano ficamos abaixo da média (de precipitações). Os meses que ficaram mais próximos da média foram fevereiro e junho. Em agosto, por exemplo, não choveu”, explica Angela Beatriz Costa, meteorologista do Iapar.
No mês de outubro, em que a expectativa do produtor da região Norte aumenta para o plantio, as chuvas continuaram esparsas nesta última semana, sem muita consistência. A expectativa é de 154 mm de chuva para este mês, mas foram apenas 6,6 mm até o fechamento desta edição. “Depois do dia 15 ou 20 de outubro ela deve entrar mais na normalidade. Dependemos das frente frias e dos sistemas convectivos do Paraguai e Argentina para que as chuvas voltem ao normal.”
Outro ponto interessante citado por Costa é que o clima está em condição de neutralidade, ou seja, sem impacto do fenômenos como El Niño ou La Niña, o que dificulta mais a chegada das chuvas.
Para a engenheira agrônoma do Departamento Técnico Econômico da Faep ( Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ana Paula Kowalski, essa previsão de neutralidade climática gera uma insegurança muito grande para o produtor na sequência da safra. "Podemos ter períodos de estiagem longos com chuvas concentradas. Com essa instabilidade grande, o produtor precisa de um sistema de produção bem alinhado, com boa cobertura de solo, manejo de adubação, controle fitossanitário para suportar a pouca reserva hídrica. Acho muito difícil manter os patamares de produção que estão previstos."


