Chuva regulariza plantio de trigo
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sexta-feira, 30 de maio de 1997
Silvana Leão 
Mário CesarLavoura de trigo no Norte do Paraná (região de Londrina). Este trigo enfrentou um período de estiagemA falta de chuva registrada até a semana passada atrasou o plantio de trigo, que deveria ter terminado no dia 20 no Norte do Estado. Mas, os pesquisadores especializaods na cultura acreditam que, com as precipitações registradas nos últimos dias, a situação em breve estará normalizada.
O pesquisador Dionísio Brunetta, da área de trigo do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), explicava, dias atrás, que as chuvas, mesmo atrasadas, haviam chegado em um momento capaz de oferecer chances de recuperação para o triticultor. Ele informou que a época de semeadura definida pela pesquisa não significa que, se o produtor não a obedecer à risca, a planta não vá produzir. Os prazos, definidos para efeito de financiamento, têm a função de alertar para o aumento dos riscos a partir de determinada data.
Segundo o Manual de Recomendações Técnicas para a Cultura do Trigo no Paraná, elaborado pelo Iapar, as épocas de semeadura recomendadas são as que têm maiores probabilidades de mais altos rendimentos. As recomendações são feitas conforme a zona em que se situa o município e os ciclos das cultivares, devendo ser adaptadas, quando se configurarem casos especiais, às condições locais.
Condições favoráveisSegundo Sérgio Dotto, pesquisador de trigo da Embrapa-Soja, em Londrina, nas áreas acima de 700 m de altitude, como parte de Londrina, Rolândia, Apucarana, Mauá da Serra, São Sebastião da Amoreira, São Jerônimo e Arapongas, a semeadura é tecnicamente viável até o dia 10 de junho.
Ele observa que cerca de 10% dos produtores da região aproveitaram as precipitações ocorridas por volta do dia 17 de abril para semear, temendo grande atraso no plantio. Mas, com umidade insuficiente, estas lavouras (principalmente as plantadas através de plantio direto) acabaram prejudicadas pela grande infestação de lagartas.
O pesquisador afirma que as condições climáticas dos últimos dias têm sido favoráveis ao plantio, e os produtores que estão plantando por conta própria, sem Proagro, não têm com o que se preocupar no momento. Ele lembra que nas regiões Oeste e Sudoeste, onde o plantio é tardio, as condições para semeadura estão muito boas e dentro dos prazos. No Centro-Sul, o plantio se concentra no mês de junho, podendo chegar, em determinadas regiões, até 30 de julho.
Área plantadaDe acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, 39% do trigo já haviam sido plantados no Estado até o dia 23. Na região Norte, 85% já estavam semeados até aquela data. No Sul, cerca de 2% do plantio haviam sido feitos. Dá para dizer que a cultura está indo bem, observou o técnico do Deral em Curitiba, Otmar Hubner.
A estimativa de plantio de trigo no Paraná é de 870 mil hectares, segundo o Deral. No Brasil, a área ocupada pela triticultura é praticamente a mesma do ano passado: 1,7 milhão de hectares. As condições do mercado também não se alteraram.
A rentabilidade do produtor depende de medidas a serem tomadas internamente pelo Governo, como por exemplo criar restrições ao produto de fora e dar ao agricultor condições de negociar o seu trigo no melhor momento, quando o produto de outros países (principalmente Argentina) já não estiver mais disponível, afirma Benami Bacaltchuk, chefe geral da Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS).
QualidadeQuanto à qualidade do trigo nacional, Bacaltchuk diz que está cada vez melhor: 95% das sementes utilizadas atualmente são de qualidade superior; o restante é de material intermediário, necessário à indústria panificadora. Se não chover na época de colheita, o Brasil deverá produzir uma ótima safra. Porém, o chefe da Embrapa chama a atenção para outros fatores importantes, como o uso de material genético de qualidade conhecida.
Ele ressalta também a importância de cuidados com a infestação de pragas e doenças na fase de desenvolvimento da planta, e da boa adubação, não deixando que falte nitrogênio na fase de enchimento dos grãos. Isto garante o bom nível de proteína no produto, acrescenta. Finalmente, Bacaltchuk aconselha que o produtor não espere que a chuva colha seu produto, ou seja, se o trigo estiver quase no ponto de colheita e houver previsão de chuvas, ele deve entrar com a colheitadeira e terminar a secagem no armazém.
E os armazéns, na opinião do pesquisador, têm papel importante na manutenção do grão. Eles devem receber o produto de forma seletiva. É preciso ter moegas diferentes para produtos de diferente qualidade. Outra preocupação de Bacaltchuk é com o plantio de última hora pelos produtores que se frustraram com a safrinha de milho. O plantio sem o devido preparo pode ser determinante para a perda da qualidade.


