ÁguaExcesso de chuva em várias regiões produtoras compromete a qualidade da sojaGrãos escuros, fermentados e sujos. Este é o resultado do excesso de chuvas na colheita de soja na região de Londrina. Com uma área plantada de 170 mil ha, a expectativa era de uma produção de 443 mil toneladas, mas o Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento em Londrina já registra uma quebra de 20%, com previsão de chegar ao final da colheita com uma produção 360 mil toneladas.
A agrônoma do Deral eme Londrina, Rosângela Vieira, explica que os problemas da soja começaram na estiagem de janeiro e fevereiro, que atrapalhou o crescimento normal das plantas e fez com que as variedades de ciclo médio e de ciclo precoce chegassem juntas ao ponto de colheita. ‘‘A seca de janeiro adiantou o ciclo, induzindo a um florescimento mais cedo. As plantas ficaram com porte baixo, com inserção baixa das vagens, e a colheitadeira não consegue colher’’, diz.
Situação atípicaNa região de Londrina foram colhidos até agora 60% da área de soja. A chuva tem favorecido também o crescimento das plantas daninhas, que além de atrapalhar a colheita, contribuem para a quebra de qualidade, com muita sujeira acumulada junto com os grãos.
Dorico da SilvaEm algumas
lavouras de
milho-safrinha
a erosão
provocada
pela chuva
chegou a
arrancar
plantas
O algodão foi outra cultura bastante prejudicada pelo clima no Norte do Estado. ‘‘A chuva pegou as maçãs abertas, provocando perdas em produtividade e qualidade, o que dificulta ainda mais a comercialização’’, comenta Rosângela. Foram plantados na região 4 mil hectares. Muitos produtores estão pedindo Proagro, para tentar recuperar o dinheiro investido. ‘‘Se o produtor já estava desanimado com a cultura aqui na região, agora a situação ficou um pouco pior’’, completa.
Na região de Ponta Grossa, a área de soja é 245 mil ha distribuídos nos 18 municípios que fazem parte do Núcleo da Seab. Nessa região a soja é plantada um pouco mais tarde do que na Região Norte. Mesmo assim a colheita está atrasada, tendo sido colhidos até agora apenas 12%. ‘‘Nesta última semana a colheita foi praticamente paralisada por causa das chuvas’’, informa o agronômo do Deral em Ponta Grossa, José Roberto Tosato.
Algumas áreas já apresentam brotamento parcial, e o maior problema é a falta de luminosidade. Com o impedimento de continuar a colheita de soja, os produtores retomaram a colheita tecnificada do milho que havia sido interrompida. ‘‘Ainda não foram registradas perdas reais, mas se as chuvas continuarem, o risco de prejuízos é grande’’, diz Tosato.
FeijãoEm Ponta Grossa a área cultivada com feijão das secas, das variedades carioquinha e pérola é bastante significativa, ocupando 25 mil ha e também está ameaçada pelas chuvas. Já foram colhidos 40% da área. Das perdas, 5% são irreversíveis, por brotação no campo. Do que foi colhido, boa parte está com baixa qualidade.
A soja na região de Londrina teve quebra de 20%, provacada
pela estiagem em janeiro e chuva na colheita
Na região de Wenceslau Braz, também grande produtora de feijão, a situação é semelhante, só que com perdas maiores. Foram plantados nesta safra 15 mil ha de variedade carioquinha, e a colheita mal começou, porque a chuva atrapalhou. ‘‘No último final de semana choveu aproximadamente 180 milímetros em apenas três dias, prejudicando bastante as lavouras. Apenas 5% foram colhidos até agora, e a maior parte da área ainda está sujeita à ação da chuva’’, comentou o agrônomo Luis Carlos Pereira, da Emater em Wenceslau Braz.
O agrônomo estima que 15% já estejam perdidos por excesso de umidade, que favorece o ataque de fungos. O tipo de solo da região acumula mais água e compromete as raízes, provocando seu apodrecimento. ‘‘O pico da colheita é agora em abril, e se o tempo ajudar, uma boa parte ainda pode-se recuperar, caso contrário o índice de perdas pode aumentar’’, finaliza Luís Carlos.

mockup