As chuvas de janeiro que tantos transtornos têm causado nas cidades é muito benéfica para o campo. O pesquisador da área de engenharia agrícola do Iapar, em Londrina, Rogério Faria explica que os anos em que o mês de janeiro é chuvoso são muito melhores para a agricultura. ''A chuva nesta época é boa, porque algumas culturas anuais estão em fase de floração e outras em fase de frutificação e a água auxilia para uma maior produção.''
Segundo Faria, culturas como soja, milho, algodão, café, feijão e frutas estão entre as que têm se beneficiado com o grande volume de chuvas. ''Até agora essas culturas se desenvolveram muito bem. A soja, por exemplo, está com uma quantidade de folhas boa para suportar uma florada grande.'' Ele esclarece que janeiro é a fase mais crítica para a maioria das culturas e a falta de chuva prejudica a produção.''O ano passado tivemos seca nessa época e foi muito prejudicial, inclusive com diminuição na produção.''
A falta de chuvas em 2006 também diminuiu a vazão dos rios e rebaixou o nível do lençol freático na região, então as águas de janeiro têm ajudado a recompor esses níveis. ''Esse é um ponto positivo, porque vários agricultores trabalham com irrigação e com volumes menores há prejuízo.'' Aqueles que têm criações de animais também são beneficados com o crescimento das pastagens.
Mas nem tudo é benéfico para a agricultura com as chuvas, quem trabalha com legumes e, principalmente, folhosas já começa a ter prejuízos e quebra na safra. Os consumidores também já sentem o aumento nos preços. Faria diz que, como essas culturas são mais frágeis, o excesso de água acaba prejudicando a produção, porém os agricultores que trabalham com estufas acabam aumentado a renda. ''Na nossa região são poucos os que optam pelas estufas, mas eles acabam tendo mais rentabilidade quando há um maior volume de chuvas.''
Outro problema é o aumento das doenças causadas por fungos e bactérias. ''O aumento na umidade favorece o aparecimento dessas doenças, mas existem formas de combate bastante eficientes e que podem evitar os prejuízos.'' A erosão é também um risco para os solos que estão sem cultivo, mas Faria acredita que, nessa época do ano, a maior parte das propriedades já está com as culturas formadas e, portanto, com o solo coberto e protegido. As estradas rurais é que costumam causar transtornos, principalmente pela falta de manutenção.
A previsão é de que as chuvas continuem até o final de janeiro. ''É difícil fazer uma previsão segura para mais do que cinco dias, mas a perspectiva é que janeiro se mantenha chuvoso.'' De acordo com o pesquisador, a previsão para esse verão é de um El NiÀo moderado, com chuvas acima da média, o que tem se confirmado. A média histórica da região de Londrina para o mês de janeiro é de 210 milímetros. Nos primeiros dez dias deste ano o volume chegou a 240. A perspectiva é de chuvas acima da média também em fevereiro.

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