Chuva na hora certa garante safra recorde
Tudo o que vem em excesso é ruim, mas o excesso da chuva é menos danoso que a falta dela. ''Apesar das precipitações decorrentes do El NiÀo, este ano teremos uma safra cheia, uma colheita recorde'', afirma Rogério Faria, especialista em engenharia agrícola do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). As estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) comprovam (ver quadro nesta página).
Avaliação semelhante tem Irineu Baptista, gerente técnico da Cooperativa Integrada, em Londrina. Segundo ele, o volume de chuva no decorrer da safra foi adequado, o que garante uma safra cheia, apesar da preocupação com a ferrugem asiática na soja. ''Os produtores estão otimistas'', relata.
Milho e soja tiveram vários benefícios com a chuva, apesar da ocorrência de doenças fúngicas (ver matéria nesta página). O feijão sofreu com o excesso de chuva no período da colheita. ''Este ano, o feijão teve suprimento hídrico adequado, mas na colheita a chuva causou prejuízos'', diz Faria. O excesso de umidade provocou manchas nos grãos, o que interfere na qualidade e o produto perde o valor comercial. A umidade também prejudica o armazenamento porque provoca o brotamento dos grãos. O excesso de chuva no verão, com calor e umidade, favorece a ocorrência de doenças fúngicas, como a ferrugem e bacteriose. Segundo Faria, a água da chuva é vetor do patógeno.
De acordo om o pesquisador, a lavoura do feijão exige a ocorrência de chuva durante todo o ciclo, mas em algumas fases não pode faltar. ''Dizem que o feijão é uma cultura de três águas: na semeadura, no florescimento e na panela'', afirma.
Da mesma forma, o milho requer disponibilidade hídrica em todo o ciclo, mas é fundamental a ocorrência de chuva na semeadura, no embonecamento (por volta dos 60 dias) e no enchimento dos grãos. Segundo Faria, a cultura não se ressente do excesso de chuva no período da colheita. ''O milho tem maior tolerância, mas o mesmo não acontece com o safrinha que teve perdas no ano passado por causa do inverno chuvoso'', explica.
O café sofre com o excesso de precipitações, segundo o pesquisador do Iapar. ''O café precisa de um período de seca para a maturação das gemas florais'', explica. Normalmente, acontecem de duas a três floradas principais. No ano passado, acrescenta, o inverno foi chuvoso e não houve concentração de floradas. ''A desuniformidade da maturação comprometeu a qualidade do grão'', diz.
A erosão é outro efeito do excesso de chuva. De acordo com Faria, alguns produtores se descuidaram de práticas de manutenção em algumas áreas de plantio. ''Eles abandonaram os terraços e com a grande quantidade de chuva, ocorre a erosão'', relata. O pesquisador afirma que os produtores não fizeram o terraceamento para facilitar a mecanização. ''O prejuízo é certo. O terraço faz parte do conjunto de práticas do plantio direto e não deve ser abandonado'', enfatiza. (R.C.)





