Chuva mudou a geografia da região
Curitiba - As chuvas excessivas que começaram na madrugada do dia 11 de março saturaram o solo e o volume de água transbordou o leito dos rios formando correnteza nas áreas de plantio, arrastando a camada fértil dos solos, sementes, mudas, plantas, lavouras, adubos, infraestrutura (equipamentos de irrigação, caramanchões, barracões, tratores, implementos agrícolas, etc.).
''A geografia da região mudou, cursos de rios foram desviados, propriedades inteiras foram devastadas, a terra foi lavada e agora ficou coberta de areia e detritos'', relatou Paulo Christóforo da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) de Paranaguá.
Vitor Bertolin, que é produtor de Morretes, perdeu toda a plantação de chuchu, pepino e maracujá. O cálculo do prejuízo é de aproximadamente R$ 400 mil. Ele conta que começou a arar a terra para plantar pepino e colocou as primeiras mudas nesta semana. Até agora, ainda não recebeu nenhuma ajuda do governo. Já tem um financiamento que utilizou para a compra de trator e de implementos agrícolas e agora pretende negociar algum tipo de abatimento ou redução de juros.
O produtor de Morretes, Denilson José Fiorese, perdeu toda a plantação de chuchu e boa parte da de maracujá totalizando quase 5 hectares de área plantada. Ele vai deixar de colher 440 mil quilos de chuchu e 225 mil quilos de maracujá. ''Ainda não consegui contabilizar o prejuízo financeiro'', disse.
Ele trabalha na lavoura com mais dois irmãos e tem dois tratores financiados para pagar em um prazo de dez anos. Uma das máquinas ele ainda nem começou a quitar e a outra pagou apenas duas parcelas.
Agora, pretende começar tudo de novo em outra área no mesmo município com a plantação de chuchu. A plantação de maracujá teve perda de 50%, por isso, ele pretende tirar os frutos que sobraram e retomar a produção. ''Se o governo nos ajudar e arrumar as cabeceiras de pontes podemos começar tudo de novo'', disse.
Manuel Antonio Neves perdeu plantação, mudas e as duas casas que havia na propriedade de 5,8 mil metros quadrados, na localidade de Sambaqui, em Morretes. A enchente levou toda a produção de mandioca, vagem e quiabo, além das bandejas de hortaliças, preparadas para serem plantadas na sequência. Neves trabalha também em uma área vizinha, que também foi destruída pela chuva.
Ele calcula um prejuízo de R$ 5 mil, sem contar os imóveis e o tempo parado. As casas, Neves conseguiu reconstruir de maneira improvisada em um terreno mais alto da propriedade. Para voltar a plantar, o agricultor espera agora empréstimo subsidiado pelo governo estadual.
O prejuízo não foi só dos agricultores que perderam a produção destruída pela enchente. A chuva também prejudicou de outras maneiras, como foi o caso de Jeser Alves, meeiro de uma propriedade de cinco alqueires em Morretes. A falta de acesso pelas estradas e o terreno encharcado atrasou em um mês o plantio de hortaliças (alface, cheiro verde, couve, entre outras). O cultivo, que deveria ter sido feito em 20 de março, só está começando agora.
Jeser Alves nasceu em Joaquim Távora e mora há oito anos em Morretes. Ele conta que nunca viu uma enchente como a de março e faz um alerta para as autoridades: ''O Rio Sambaqui está entupido. Ele precisa urgente de uma dragagem''. (Andréa Bertoldi e Adriana De Cunto)





