As chuvas das duas últimas semanas incentivaram o plantio de feijão no Paraná. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) estima que 35,2% da área a ser cultivada já está semeada. No ano passado, no mesmo período, apenas 8,7% da área estava plantada. ''Motivados pelos bons preços, os produtores anteciparam o plantio'', afirma Dirlei Antônio Manfio, chefe do setor de previsão de safra do Deral.
Em agosto, os produtores receberam R$ 66,00/saca de feijão preto, com o preço chegando a até R$ 76,00/saca em abril deste ano. Já o feijão carioca foi vendido a R$ 72,00/saca no mês passado. ''Julho foi o melhor mês do produto, que chegou a ser comercializado a R$ 83,00/saca'', informa Manfio. Segundo ele, no mesmo período do ano passado, o feijão preto era vendido a R$ 62,00/saca, enquanto o carioca rendia apenas R$ 44,00/saca.
A melhora no preço, explica o chefe do Deral, foi ocasionada pela estiagem, que comprometeu a oferta do feijão no mercado. A produção da primeira safra em 2004 ficou em 394 mil toneladas (t), enquanto a estimativa era de 431 mil t. Ainda segundo Manfio, em 2003, o Estado representava 22% da produção nacional. No ano passado, este número caiu para 17%. ''A quebra na safra passada foi de 32%, o que fez com que o Paraná perdesse a posição de maior produtor nacional para Minas Gerais'', aponta Manfio.
Ele ressalta, no entanto, que a previsão é de aumento de 13% na área cultivada com feijão para a safra 2005/06. ''A previsão também é de crescimento na produção, que poderá ser de 500 mil t na safra principal'', acredita. Na safra 2004/05 a produção brasileira foi de mais de 3 bilhões de t, enquanto o total colhido no Paraná ficou em 526 mil t.
Os últimos dados do Deral apontam que a safra de inverno - que corresponde a apenas 3% da produção estadual de feijão - já foi totalmente colhida e mais de 80% do produto já foi comercializado. Sem muitos investimentos em tecnologia, esta safra é cultivada principalmente por pequenos produtores da região Norte do Estado.
O agrônomo Taurino Alexandrino Loiola é um deles. Além de cultivar feijão, ele presta assessoria para um grupo de produtores de Wenceslau Braz (117 km ao sul de Jacarezinho), que respondem por uma área de 2 mil hectares. Este ano, no entanto, Loiola desistiu de plantar a primeira safra. ''Na esperança de fazer dinheiro, o Brasil inteiro plantou o feijão de inverno e agora o mercado está abarrotado'', diz. Segundo ele, o aumento na oferta irá derrubar os preços nacionais. ''Tenho conversado com produtores do Brasil Central e do Mato Grosso do Sul que colheram a safra de inverno e das águas e não conseguem comercializá-la. No Paraná não será diferente'', assinala.
Para o corretor José Carlos Bueno, de Quatiguá (63 km ao sul de Jacarezinho), a comercialização ainda não está tão comprometida no Estado, mas os preços poderiam ser melhores. ''Hoje o preço na lavoura é razoável, girando entre R$ 60 e R$ 70 a saca de 60 quilos. O ideal seria que os produtores recebessem entre R$ 75 e R$ 80'', finaliza.

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