Chuva em dobro; poucos problemas
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 1997
Cristina Côrtes 
A soja cultivada em plantio direto na Warta, região de Londrina, mostra bom desenvolvimentoAs cinco principais culturas de verão - algodão, arroz, feijão, milho e soja - já estão semeadas nas regiões produtoras do Paraná. Alguns atrasos no plantio são localizados e não devem interferir nos resultados finais da safra. A informação é do economista Norberto Ortigara, diretor geral do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
As lavouras de milho e arroz estão com 90% do plantio feito, algodão com 95% e soja 76%. Até agora, a cultura que mais sofreu com o excesso de chuvas foi o feijão, que teve uma quebra de 15% na produção. Das 426 mil toneladas previstas, foram colhidas apenas 365 mil toneladas. A umidade e a falta de luminosidade provocaram o abortamento de flores, com redução da produtividade, comenta Norberto.
Dorico da Silva
PromessaAs lavouras de milho na região Norte estão prometendo uma boa colheita
O volume de chuvas é o dobro do normal nesta época. Algumas áreas têm sofrido erosão, que prejudica o estande das lavouras, exigindo o replantio; noutras áreas o plantio tem sido escalonado, devido às interrupções pela chuva.
Campos GeraisNa região de Ponta Grossa a chuva atrapalhou o trigo, que é colhido mais tardiamente do que outras áreas do Estado. Segundo o agrônomo do Deral, José Roberto Tosato, a perda varia de 5% a 8% e a queda de qualidade deve chegar a 15%. Neste ano foram cultivados 52 mil ha, e a produção prevista é de 125 mil toneladas.
A soja deve ocupar uma área de 248 mil ha, e 80% já estão plantados. De 500 a 600 ha tiveram que ser replantados devido às chuvas. Uma cultura importante na região é o feijão5. Dos 57 mil ha plantados, apenas 5% foram colhidos até agora. A produção do feijão das secas aqui é bastante significativa, pois representa 80% da produção do Estado, e já tem um mercado certo em São Paulo, com preços compensadores, diz Tosato. Os produtores de feijão investem em tecnologia e têm um rendimento médio de 2.000 a 2.200 kg/ha, chegando em algumas propriedades a 3.000 kg/ha.
Com relação à safra de feijão nas demais regiões do Estado, Norberto comenta que os produtores da variedade carioca estão enfrentando problemas de preço, em função do excesso momentâneo de oferta. O preço do
carioca está entre R$18,00 e R$23,00 a saca, enquanto o preto está entre R$45,00 e R$55,00 a saca. Norberto informou também que o Governo deve comprar uma parte da produção da normalizar o mercado.


