Chuva demais ou seca demais faz qualidade da safra oscilar

Chuva demais ou seca demais. O clima pouco estável atrapalhou um desenvolvimento melhor dos grãos de café nas áreas do agricultor Antônio Martins Braga. Com um total de 7,2 hectares voltados para a cultura em Cambé e mais 4,8 hectares no ditrito da Warta, zona norte de Londrina, Braga iniciou a colheita esta semana e segue até julho. E não é preciso ser nenhum expert da cultura para notar que existem áreas com grãos bonitos, uniformes e perfeitos para a colheita, e outros que sofreram com certas doenças e falta de chuva no momento da frutificação.
Antônio começa relatando que as chuvas intensas no final do ano passado e início de 2018 acabaram dificultando o manejo da cultura. A antracnose é uma doença fúngica que necessita aplicação de defensivo, mas o produtor relata que não conseguia entrar na lavoura devido os altos índices pluviométricos. "Consegui aplicar o fungicida duas vezes e precisaria de mais uma. Depois que parou a chuva, já não adiantava mais. Outra doença complicada foi o ácaro da leprose. Para finalizar, a seca agora, que faz o pé carregado sentir muito."

Foram 45 dias sem uma gota sequer de água, o que fez com que a seca pegasse justamente a fase de enchimento de grãos nas propriedades de Braga. Em alguns pés, é possível ver os grãos brancos e minguados, justamente porque faltou água para se desenvolver. "Apesar desses problemas, estou com uma boa expectativa. Agora no final (da safra) faltou chuva, o que fez a gente perder qualidade. Mas no geral, acho que teremos um bom volume", complementa.
Nas contas do cafeicultor, a expectativa é fechar com 350 sacas de café limpo (média de quase 30 sacas por hectare). Para isso, ele contrata mão de obra e faz colheita manual, já que suas áreas não estão preparadas para a mecanização. Ele acredita que do total do custo da produção, quase metade é investimento em colheita, que segundo ele, ultrapassa os R$ 30 mil. "Também gastei em torno de R$ 20 mil em adubação, sendo R$ 15 mil com a química e o restante, esterco."
Por fim, em relação à comercialização, a expectativa do cafeicultor é atingir pelo menos R$ 400 por saca, valor similar à safra anterior. "Passo direto para o corretor. O valor ideal seria de R$ 500, mas este valor eu só consegui há cerca de 8 anos." (V.L.)





