Chuva atrapalha colheita do trigo no Paraná
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A lavoura de trigo, este ano, não tem dado os resultados que os produtores esperavam. O excesso de chuvas em todo o Paraná em julho elevou as infestações de doenças típicas de clima úmido e quente que afetam o cereal, como a brusone e a giberela. Com cerca de 15% de área colhida, a média de perdas no Estado tem ficado na casa dos 18%. O recolhimento dos grãos ficou estagnado nessa semana em razão da volta das chuvas que atingiram todo o Paraná.
Além da quantidade, a qualidade do trigo de muitos polos de produção tem sido afetada, observa Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Segundo ele, em muitas regiões tem saído trigo de baixa qualidade das colheitadeiras. Segundo ele, o clima deve afetar a produção deste ano, mas Godinho adianta que ainda é cedo para falar sobre o quanto quebrou a safra.
Na região Oeste do Estado, onde se planta e se colhe mais cedo, a influência do clima já é evidente, uma vez que o trigo colhido naquela região tem se mostrado de má qualidade. "Agora é esperar. Mas, por enquanto, estamos mantendo a mesma prospecção de safra", destaca o agrônomo. A produção estimada para esta safra (2014/15) é de 3,93 milhões de toneladas, 3% maior em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram recolhidos 3,83 milhões de toneladas do cereal.
Ao todo, foram plantados neste ciclo 1,34 milhão de hectares, contra 1,39 milhão semeados no período 2013/14. A produtividade estimada para este ano é de 2.944 quilos por hectare (kg/ha), ante 2.747 kg/ha de rendimento contabilizado na safra passada. Godinho avalia que nas áreas já colhidas, o rendimento tem ficado em torno de 2,4 mil kg/ha.
COLHEITA
Milton Toshihiro, produtor na região de Assaí (Norte), conseguiu produzir, em uma área de 21,6 hectares, 56,25 sacas por hectare. A colheita em sua propriedade já terminou com um resultado que ficou aquém do esperado pelo agricultor. Segundo ele, as fortes chuvas durante a florada e a seca no período de granação prejudicaram os índices de produtividade de sua lavoura.
"Não é a safra que queríamos", desabafa Toshihiro. Contudo, ele salienta que o que colheu foi suficiente para pagar as contas, mas destaca que não obteve lucro. "Foi uma safra que muitos consideraram frustante", diz o produtor.
José Roque Odorizzi, produtor na região de Cornélio Procópio (Norte), lamenta ter semeado trigo ao invés de milho nesta segunda safra. Ele afirma que o rendimento foi razoável, mas o excesso de chuva em julho, combinado com o forte calor, trouxeram uma alta infestação de brusone e giberela. Em uma área plantada de 275 hectares, Odorizzi colheu 43,75 sacas por hectare, ante 47,91 sacas por hectare colhidos no ciclo 2013/14.
Além da menor produção, os preços pagos aos produtores de trigo não estão bons, explica o triticultor. Ele conseguiu comercializar sua produção a R$ 33,50 a saca, valor abaixo do mínimo, que é de R$ 35 a saca. Se a safra verão de soja correr dentro do zoneamento, no próximo ciclo de inverno ele deve focar na produção de milho, cultura que tem dado melhor resultado hoje se comparado ao trigo.


