UniãoProdutores de soja se unem para combater as pragas da soja com tecnologias alternativas


A Embrapa forneceu as ‘‘vespinhas’’ para o grupo de produtores





Mesmo com o uso da ‘‘vespinha‘‘, o produtor deve fazer a batida-de-pano para avaliar a população de percevejos


O percevejo verde (Nezara viridul




Grupo de produtores da microbacia Paineirinha, localizada entre os municípios de Cambé e Prado Ferreira, na região Norte do Estado, se organizou para produzir uma soja diferenciada, sem o uso de agrotóxicos. Numa área de três mil hectares de soja, os produtores fizeram o controle da lagarta com o baculovírus, e na última semana soltaram as ‘‘vespinhas’’ que combatem o percevejo.
A previsão para liberação da ‘‘vespinha’’ era para daqui a 15 dias, mas as chuvas favoreceram o desenvolvimento das plantas que já iniciam a formação de vagens, atrativo para os percevejos que começam também a aparecer. Os produtores estão animados com a possibilidade de chegar à colheita sem nenhuma aplicação de veneno, reduzindo os custos de produção e colhendo grãos que podem alcançar melhor preço na hora da comercialização.
Decisão certaO Manejo Integrado de Pragas (MIP) na soja, trabalho que vem sendo desenvolvido de forma integrada pela Embrapa e Emater, começou a ser adotado em algumas áreas isoladas há mais de quatro anos, nesta região, mas somente nesta safra um grupo de produtores decidiu se organizar e entrar para valer com esta tecnologia.
Foram liberadas na semana passada, em duas propriedades, 54 mil vespinhas, que devem se multiplicar com uma nova geração a cada dez dias, se as condições forem favoráveis. Cada fêmea é capaz de parasitar, em média, 250 ovos de percevejos. Os adultos vivem cerca de 80 dias e normalmente são encontrados numa proporção de um macho para cinco fêmeas.
O agricultor Ícaro Lagrotta conheceu os resultados desta prática no ano passado, numa outra área fora da microbacia. Ele conta que teve um lucro líquido de R$ 9,43 por saca, enquanto que outros produtores alcançaram um ganho de apenas R$ 4,41 por saca. ‘‘Economizei no uso de inseticida, e vendi minha soja a R$ 16,00 a saca para a Braswey, que exigiu um laudo de acompanhamento assinado pela Emater e Corol, quando o preço pago aos outros produtores foi de R$ 12,00’’, comentou Ícaro.
Baseado na sua experiência, Ícaro é um grande incentivador para o grupo de 15 produtores da microbacia. ‘‘Até agora apenas sete produtores aderiram, mas acreditamos que em três anos teremos a maioria dos agricultores participando’’, explica.
O agrônomo da Emater, Alcides Bodnar, explicou que o sucesso do trabalho depende da união e adesão dos produtores, pois o uso de veneno numa área próxima de quem quer fazer o controle biológico mata os inimigos naturais, atrapalhando a eficiência do MIP.
Redução de CustosO agricultor Estefano Paranzini, que cultiva 120 hectares (ha) de soja na microbacia, fez as contas na ponta do lápis para conhecer as vantagens e desvantagens. O custo da dose do baculovírus por hectare é de R$ 1,50, enquanto os inseticidas piretróides em geral custam R$ 1,30 por ha.
Considerando que, quando se usa o veneno, há necessidade de no mínimo duas aplicações, este custo iria para R$ 2,60 por ha. Quando chega a época de controlar o percevejo, os custos são bem maiores. Uma dose custa R$ 6,20 por ha, e fazendo duas aplicações, o gasto dobra para R$ 12,40. ‘‘Acontece que tem produtor que chega a fazer até quatro aplicações só para o controle da lagarta, e mais quatro para percevejo. Com estes custos fica difícil ter rentabilidade na lavoura ’’, diz Estefano.
O agricultor lembra que, quando a opção é pelo manejo integrado, o produtor tem que estar preparado para não ter férias no período de Natal até o carnaval, pois terá que vistoriar a lavoura todos os dias, em diversos pontos da área, para acompanhar as manifestações de insetos, pragas e agir na hora certa.
A iniciativa dos produtores da microbacia está sendo apoiada pelos prefeitos de Cambé, José do Carmo Garcia, e de Prado Ferreira, Aristides de Cayres; pela Emater e Embrapa.

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