Oscilações econômicas e climáticas estão interferindo na produção de hortaliças no Paraná. A dependência brasileira de adubos e fertilizantes, somada à alta do dólar decorrente da crise mundial, aumenta o custo de produção da horta. Eventos climáticos anormais devem provocar queda na produtividade, resultante de atrasos no desenvolvimento das plantas e do surgimento de doenças e pragas.
  O produtor Douglas Cristiano de Oliveira, que toca com o irmão Dionei Cleiton de Oliveira uma área de hortaliças no distrito da Warta, em Londrina, afirma que os seus custos não tem sido cobertos com o valor que recebe pela produção. ‘‘Hoje ganho R$ 0,50, em média, por unidade. Para cobrir os custos e ter um lucro deveria receber pelo menos R$ 0,90’’, diz Douglas. Ele toca 3,7 hectares, doados pelo pai, Pedro de Oliveira – conhecido como o ‘‘Rei da Alface’’ – com o cultivo de alface, almeirão, chicória e beterraba.
  A família Oliveira compartilha a mesma queixa da maioria dos produtores brasileiros. Segundo Douglas, o preço do adubo passou de R$ 900 para R$ 1.700 a tonelada. O valor do insumo, que há muito tempo interferia na remuneração do produtor, ganhou um novo peso com a alta do dólar no último mês.
  Ele também cita os inseticidas como componente importante do seu custo. ‘‘Até dois meses atrás, o valor recebido ainda compensava’’, diz. Como vende seu produto em consignação em dois supermercados de Londrina, quando há encalhe ainda tem prejuízos com as embalagens, que custam R$ 0,07 e não podem ser reaproveitadas.
  Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual de olericultura da Emater, afirma que houve um acréscimo de 100% no custo do adubo e de 30% no valor dos inseticidas, o que causa um reflexo entre 25% a 28% no custo global da produção.
  O técnico afirma que os produtores tradicionais acabam arcando com os custos. Segundo ele, há redução no uso de adubos e inseticidas somente no caso de áreas familiares, que diminuem o volume de plantio.
  Além dos insumos, o produtor fica à mercê do clima. No começou de outubro, por exemplo, Douglas de Oliveira teve uma perda de 70% na sua produção. A produção de hortaliças no Paraná, aliás,
tem sofrido os efeitos do clima. O técnico da Emater confirma que as oscilações climáticas este ano têm prejudicado
o setor.
  Segundo ele, há oscilações importantes num curto período de tempo. ‘‘Nesta semana, por exemplo, aqui em Curitiba (onde ele vive e trabalha), tivemos uma temperatura alta, seguida de uma frente fria e chuva’’, diz. As alterações, explica, provocam atraso no desenvolvimento das plantas.
  O principal problema é que as oscilações favorecem o surgimento de pragas e doenças, sobretudo as fúngicas. O tomate, por exemplo, sofre com a requeima e pinta-preta. Há também a ocorrência de ferrugem no feijão-vagem. ‘‘Todas as hortaliças acabam afetadas’’, afirma.
  Os efeitos da conjuntura econômica e da anormalidade do clima ainda não estão sendo sentidos no mercado. O preço pago ao produtor varia de acordo com a entrada da mercadoria. Nesta semana, por exemplo, com o início da colheita, o tomate baixou. O repolho também registrou queda. Na Ceasa em Londrina, os preços das folhosas também têm permanecido estáveis. Já os produtos de fruto tiveram alteração significativa. (veja infográfico nesta página).

mockup