O resultado não foi diferente do que aconteceu nos demais setores da economia. ‘‘Uma quebradeira geral e a redução drástica do número de coooperados. A desestruturação da cotonicultura, da triticultura e da sericicultura agravaram o quadro de dificuldades das cooperativas’’, afirmou
José Roberto Ricken, diretor-executivo da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
As cooperativas que não conseguiram superar a crise, foram vítimas da perda de cooperados que se mudaram para as cidades. Em 1993 havia 147.600 produtores cooperados e no ano passado esse número foi reduzido para 105.536 associados. Somente as mais capitalizadas conseguiram surfar nas ondas do liberalismo e agora estão se preparando para serem grandes conglomerados.
DificuldadesPara Ricken a realidade é dura. As cooperativas não contam mais com os empréstimos internacionais; os mercados de commodities estão cada vez mais competitivos e o crédito que era abundante e barato ficou escasso. O Governo volta-se para o crescimento dos centros urbanos e as empresas do setor agropecuário perderam renda.
Nos anos de crescimento, as cooperativas se estruturaram para atender todo o Estado, principalmente no fornecimento de insumos e na coleta da matéria-prima. Há 12 anos ingressaram na fase de agregar valor ao produto, através da transformação da produção. Foi quando a maioria delas começou a investir em plantas industriais modernas, mudando o perfil das cooperativas. ‘‘Mudou o perfil do empreendimento, mas não o perfil dos administradores’’, apontou Carlos Rodolfo Vasconcelos Kruger, coordenador de projetos de Organização Rural, da Emater.
O ingresso das cooperativas num ambiente mais competitivo, dominado por multinacionais, exigia uma administração mais profissional à frente das indústrias que vinham sendo instaladas pelas cooperativas. A maioria dos dirigentes, geralmente um agricultor eleito para dirigir a cooperativa e atender o produtor, não tinha a tradição e a experiência de uma administração mais complexa.
Novo ambienteParalelamente à estréia das cooperativas num ambiente novo, o da industrialização, elas foram submetidas a um choque de competição motivado pela abertura econômica a partir dos anos 90. Esse choque atingiu em cheio as cooperativas que estavam em fase de investimentos nas plantas industriais. Era a fase em que as cooperativas faziam projetos de indústrias, para esmagar a laranja, beneficiar o açúcar, industrializar a soja e outros. A onda liberalizante da economia atingiu esses projetos, a maioria financiados, e provocou uma reviravolta no setor. Os resultados que vinham sendo projetados com a instalação das indústrias não foram alcançados.
Segundo Kruger, as cooperativas não tiveram tempo de utilizar toda a capacidade instalada nas indústrias e seus planos não foram solidificados. As cooperativas sofreram o impacto maior da competitividade a partir de 94, quando a inflação entrou em queda. As cooperativas que tinham suas plantas financiadas foram as que mais sofreram os efeitos da crise.
As cooperativas de leite foram as primeiras que discutiram a possibilidade de fusões e incorporações entre elas. Algumas iniciativas foram concretizadas, como a Centralpar, que reuniu numa mesma planta industrial as cooperativas Witmarsum e Clac. Para economizar mais custos ainda, a Centralpar queria firmar uma parceria com a Batavo, antes dela ser vendida à Parmalat. Mas na época a Batavo precisava mais de aporte de recursos do que de parceria.
A solução para as cooperativas de leite foi ganhar escala, para potencializar as margens de ganho que estão cada vez menores. Mas para isso não adianta um investimento regional ou estadual. ‘‘Por que não pensar em projetos nacionais ou transnacionais para o setor leite? ’’, pergunta o consultor. Segundo ele, enquanto as cooperativas ficam pensando em termos regionais, a Parmalat está captando leite no País inteiro e está investindo em marketing, setor onde as cooperativas de leite estão deficientes, analisa. As cooperativas são responsáveis pelo suprimento de 70% do leite pasteurizado comercializado no Estado, mas a participação no recebimento cai para 62%.

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