Lembrar nunca é demais: o cuidado na produção de sementes começa desde o plantio. O pesquisador da Embrapa Soja José de Barros França Neto faz uma comparação simples para explicar. ''A semente plantada é muito mais do que um grão. É como se existisse um chip de computador dentro dela que permite conhecer exatamente cada característica da planta que ela dará origem'', diz. Por isso o cuidado na época de colheita é essencial, exigindo investimentos em máquinas auto-limpantes, e preocupação especial com a limpeza das máquinas colheitadeiras.
Uma falha no processo pode comprometer toda a produção e gerar sementes de baixa qualidade. No caso do milho e do sorgo, que tem polinização cruzada, os cuidados devem ser maiores ainda. Para impedir a fertilização cruzada, o agricultor tem que usar de artifícios como criar barreiras físicas e plantar em épocas diferentes das demais espécies.
Depois da colheita, o produto segue para a cooperativa, onde é beneficiado e classificado. Nessa etapa, as sementes passam inicialmente por processo de limpeza física e, em seguida, pela secagem, resfriamento e desidratação. Esse processo é fundamental para manter o vigor do produto. As sementes são mantidas armazenadas por cerca de seis meses com 11% a 12% de umidade final. O objetivo é baixar a sua atividade de metabolismo para que a conservação seja prolongada por mais tempo, garantindo a germinação e o vigor.
Seis meses depois, as sementes são classificadas por tamanho e peso, embaladas e novamente vendidas para os agricultores. Todo esse cuidado, segundo Francisco Carlos Krzyzanowski, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), é mais do que justificável, já que a alimentação deve ser vista como setor estratégico para o país. ''A agricultura é vital para a indústria brasileira. A semente é uma questão de segurança nacional, que vai garantir independência do país na alimentação e a base da indústria'', diz ele.
Sobre os cuidados exigidos pelas sementes vai mais além: ''O maior desafio é a genética. Criar uma variedade de soja leva em média dez anos. Se não colher bem, se não limpar, se não prevenir pragas, todo este trabalho pode-se perder em dois a três anos'', diz. (M.G.)

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