Jota Oliveira
De Londrina
No começo desta semana uma missão da China veio ao Paraná, interessada em conhecer tecnologia de produção de citros, especialmente laranjas, e a produção de sucos. A laranja é originária da China, mas a citricultura naquele país é subdesenvolvida, apesar dos visitantes terem falado em área plantada de 1 milhão de hectares, quando o Brasil, maior produtor e maior exportador mundial de sucos, cultiva 800 mil hectares.
O engenheiro-agrônomo Rui Pereira Leite, da Área de Citricultura do Iapar, informou que os chineses estavam interessados na parte industrial, para a produção de sucos, especialmente de laranja, e também queriam conhecer a tecnologia desenvolvida pelo Iapar para a produção. Embora não seja o maior produtor nacional de cítros, o Paraná é o Estado mais evoluído em pesquisa nessa área. Do Iapar, onde se reuniram com o coordenador técnico-científico, Rogério de Lemos Cardoso e com Pereira Leite, os chineses, acompanhados por esse pesquisador, foram conhecer as instalações industriais da Corol, em Rolândia, a ‘‘Paraná Citros’’, fábrica de sucos sediada em Paranavaí, e pomares nos dois municípios.
InteresseA China não tem uma citricultura evoluída nem produção expressiva apesar de seu milhão de hectares. Daí o interesse dos visitantes em informações que possam melhorar a produção e o processo industrial. Eles anotaram todas as informações, inclusive nomes de equipamentos e fornecedores de peças e equipamentos para fábricas de sucos.
O mesmo tinham feito no Estado de São Paulo, maior fabricante e exportador brasileiro de suco cítrico concentrado (somente duas empresas paulistas, a Cutrale e a Citrosuco, produzem e exportam metade do suco produzido no País, segundo Rui Pereira Leite).
Se a produção chinesa de cítricos não é desenvolvida, muito menos é o processo industrial precário, enquanto o Brasil possui tecnologia de ponta no setor. É uma oportunidade para exportação de produtos industriais para as usinas chinesas, porém as principais fabricantes de componentes para fábricas de sucos no Brasil são subsidiárias de empresas americanas.
Em citros os chineses, assim como os japoneses, produzem gomos de laranja e tangerina em calda açucarada. No entanto, o produto de maior consumo no mundo é o suco de laranja, que agora a China quer produzir. Uma indústria norte-americana, a ‘‘Tropicana’’, segundo o pesquisador Rui Pereira Leite, já tem projeto para a construção de uma fábrica de suco de laranja naquele país. Do Paraná a missão chinesa seguiu para Brasília. Diversas missões chinesas têm visitado o Iapar, interessadas em tecnologia agrícola, e participado das rodadas de negociações na Exposição Agropecuária de Londrina.
A missão de Hubei, onde se localiza a maior área de produção de laranjas da China, era chefiada por Du Wei, vice-presidente de Ciência e Tecnologia daquela província e integrada ainda por Zhang Guangding, vice-gerente da estatal Hubei Weiling Drink Corporation; Lu Bingge, agrônomo do Escritório de Horticultura de Yichang e Lei Zhongwen, engenheiro da Comissão de Ciência e Tecnologia de Hubei.
O Paraná tem entre 24.000 e 25.000 hectares de pomares cítricos, dos quais 10.000-12.000 de laranja. Essa área está nas regiões de Londrina (Norte) e Paranavaí (Noroeste do Estado). A Paraná Citrus S.A.’’, de Paranavaí, acha-se na quinta safra e já esmagou mais de 5 milhões de caixas de laranja, a maior parte destinada à exportação. Os laranjais paranaenses são novos e a produção ainda está crescendo, comentou o pesquisador do Iapar.Missão técnica chinesa busca informações sobre produção e industrialização de citros
A missão técnica chinesa no Iapar, com os pesquisadores Rogério de Lemos Cardoso e Rui Pereira LeiteTecnologiaColheita de laranja na região Noroeste do Paraná. Chineses querem tecnologia de produção

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