China pesquisa ervas no Paraná
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sexta-feira, 12 de maio de 2000
Da Redação 
Quatro cientistas do Instituto de Medicina Tradicional da China chegam a Campo Mourão na segunda-feira, para formalizar convênios com o Município, instituições de ensino e uma empresa privada, visando desenvolver pesquisas e promover a exploração comercial de ervas medicinais.
O empreendimento é resultado de negociações que a administração municipal iniciou há cerca de dois anos. A ervas processadas na cidade serão comercializadas nos mercados nacional e internacional.
Os pesquisadores chineses são da cidade de Guangdong (na República Popular da China) e o trabalho de análise de ervas, que são produzidas em Campo Mourão e em vários municípios da região Centro-Oeste do Paraná, terão início imediato. Participam da parceria a Prefeitura de Campo Mourão, a Faculdade Estadual de Ciências e Letras (Fecilcam), a unidade local do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) e a empresa Hierba Salud Indústria e Comércio de Ervas Naturais Ltda, instalada na cidade.
Escala comercial Os cientistas chineses vão fazer pesquisas na Facilcam e no Cefet. A programação inclui estudos de ervas, raízes, cascas, caules e dos solos onde se desenvolvem as plantas. Além de descobrir as propriedades terapêuticas de cada espécie, serão realizadas pesquisas do solo, para que as plantas não sofram transformações a partir do momento em que forem produzidas para exploração em escala comercial.
Pelo menos sete municípios da região centro-oeste do Paraná já produzem várias espécies de ervas medicinais. Toda essa produção, inclusive de novas cidades que venham a aderir ao projeto, será beneficiada em Campo Mourão pela Hierba Salud Indústria e Comércio de Ervas Naturais Ltda. Já participam os municípios de Santa Maria do Oeste, Campina do Simão, Palmital, Boa Ventura de São Roque, Pitanga, Marquinho, Goioxim, entre outros.
Grande produção As primeiras plantas pesquisadas pelos chineses deverão ser a sálvia e o barbatimão. Porém, apenas nos 13.318 metros quadrados da Estação Ecológica do Cerrado de Campo Mourão, localizada dentro da cidade, já foram cadastradas cerca de 570 espécies de ervas.
O local foi transformado em área de preservação e estudos já há alguns anos pela Prefeitura e é considerado uma verdadeira relíquia pelas autoridades da área. O cerrado, embora seja uma vegetação típica do Centro Oeste do Brasil, predominava na área onde hoje está a cidade de Campo Mourão. Segundo pesquisadores da USP, a cidade tem a mais meridional manifestação de cerrado do planeta.
Mercado amplo Segundo os coordenadores do projeto, os óleos essenciais, pó, gel e outros derivados que serão produzidos em Campo Mourão servirão de base para mais de 3.500 produtos alimentícios, remédios e cosméticos.
Trata-se de um mercado emergente em todo o mundo, pois as pessoas cada vez mais adotam os produtos naturais. A vinda de pesquisadores chineses, que têm grande tradição no estudo das plantas, coloca Campo Mourão na vanguarda e o projeto abre novas perspectivas para o Município, diz o prefeito Tauillo Tezelli (PPS).
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marco Antônio Kunzler, observa que a parceria soma a grande variedade de ervas existentes no Centro- Oeste do Estado ao conhecimento milenar dos chineses em relação a utilização das plantas.
O volume de recursos movimentados pelas ervas medicinais cresce vertiginosamente a cada ano e Campo Mourão vai aproveitar esse novo mercado. Será uma nova atividade econômica para os pequenos produtores rurais de nossa região, com a geração de empregos não apenas no cultivo, mas também no processamento das ervas, garante Kunzler. As Vilas Rurais poderão participar do projeto, atuando especificamente na produção de mudas de ervas medicinais.


