China comanda mercado mundial de algodão
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sexta-feira, 22 de junho de 2001
Jota Oliveira De Londrina 
O engenheiro-agrônomo Napoleão de Macedo Beltrão, da Embrapa Algodão, sediada em Cruz das Almas, na Paraíba, diz que, por exemplo, somente o Exército chinês consome em suas fardas cerca de 600 mil toneladas por safra, enquanto médicos e enfermeiros usam cerca de 350 mil-400 mil toneladas de uniformes. Isto é mais do que todo o consumo industrial brasileiro. A China é um termômetro, por ser o maior produtor, o maior consumidor e ter o maior estoque. No entanto, precisou defazer-se de parte desse estoque, para atender o mercado interno de tecelagem graças a uma mão-de-obra barata. O resultado, imagina o técnico, deve ser aumento dos preços mundiais na próxima safra.
No mundo são produzidos mais ou menos 54 milhões de toneladas de fibra, ou 35% de pluma. Esta posição fez, na última terça-feira, o mercado mundial funcionar em baixa, a US$ 46 centavos de dólar a libra-peso, o tipo 6, médio (50% do mercado). Como o mercado global está diminuindo, Napoleão prevê aumento de preço. Ele lembra que a média histórica do algodão foi US$ 72 centavos de dólar a libra-peso e, acreditam que a tendência é o preço aumentar, considerando o estoque em baixa
Produção mundialO Brasil situa-se entre o 3º e o 7º maiores produtores mundiais. Há cinco anos os brasileiros tiveram que importar, pois só produziram 500 toneladas. Hoje, produzem quase 900 toneladas e se espera que passe, na próxima safra, para 1,4 milhão-1,5 milhão de toneladas, a maior parte de fibra.
Os Estados Unidos são o segundo maior produtor (2,7 milhões de toneladas de pluma) e o primeiro exportador mundial (o Brasil, por exemplo, compra algodão americano). Terça-feira, os preços no Paraná variavam de R$ 8,00 a R$ 12,00 a arroba do algodão em caroço e de R$ 28,50 a R$ 34,00 a arroba de pluma.
Política algodoeiraChina é o maior produtor do mundo; a Índia produz 2 milhões 350 mil toneladas de fibra. O Uzbequistão, segundo exportador mundial, produz 930 mil toneladas.
A expectativa é de um organismo internacional que cuide da política algodoeira, diz o engenheiro agrônomo Napoleão de Macedo Beltrão, da Embrapa Algodão, de Campina Grande, Paraíba. No Mundo, cerca de 80 países produzem algodão, e somente 5 produzem mais de 1.000 kg. Todas essas são lavouras irrigadas. Fora do Brasil, Israel é o maior produtor e a Espanha dá aos seus cotonicultores os principais subsídios, acima de US$2.000 o quilo. Também são grandes produtores a Austrália, Estados Unidos, Turquia e China. A China tem de 4 a 5 milhões de ha e 59 milhões de cotonicultores maior que toda a população do Nordeste.
No mundo, a área média de produtores de algodão é de 5 a 10 ha por agricultor. A expectativa do Brasil é produzir até 1,5 milhão detoneladas na safra 2001-2002. É a segunda vez que isso acontece no País.
Isto significa 870 kg de fibra; Mato Grosso é o maior produtor brasileiro, com 3.400 kg, o que dá 1.200 kg de fibra. No Brasil, somente Rondonópolis, em Mato Grosso, planta 3.000 ha de algodão, enquanto o mundo todo produz 34 milhões de ha, ou 1,78% de todas as culturas.
O Ceará e a Bahia (principalmeente Bom Jesus da Lapa) são os maiores produtores de algodão do Nordeste. Eles produzem mais de 5,5 toneladas de algodão em caroço, o que dá 2.440 kg de fibra por hectare. O Nordeste, diz Napoleão de Macedo Beltrão, tem potencial para irrigar 5 milhões de ha. Hoje irriga 900 mil ha.


