Armadilhas perfumadas. Esta é a mais nova arma do controle do Migdolus fryanus, uma das principais pragas da cana-de-açúcar, que causa prejuízos da ordem de US$ 250 milhões anuais no Brasil. Os danos estão concentrados principalmente na Região Centro-Sul do País, responsável por 75% de toda a produção nacional de cana, numa área de 4 milhões de hectares. A informação é do agrônomo Mário Menezes, da Bio Controle - Métodos de Controles Biológicos, de São Paulo. A empresa comercializa armadilhas para controle biológico do migdolus.
A cana dá em torno de cinco cortes anuais. Quando a praga está presente não é possível passar do segundo corte. Entre o primeiro e o segundo cortes, a larva está comendo as raízes da planta. ‘‘Em áreas onde há grande população da praga, não é possível conseguir o segundo corte da cana. Nessas áreas, através de armadilhas, consegue-se capturar cerca de 800 insetos adultos do migdolus’’, afirma Menezes.
Cheiro atrativoDe acordo com Menezes, as larvas do migdolus ficam até três metros de profundidade do solo e não existe até o momento produto químico eficaz para controle. O uso de iscas ou feromônios sexuais, que imitam o cheiro das fêmeas para atrair os besouros até a superfície da terra, tem sido eficaz.
O agrônomo relata que as experiências com o migdolus começaram nos anos 80, na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, quando o professor Evaldo Vilela reuniu um grupo de agrônomos para pós-graduação e estudo dos feromônios. Por volta de 1992, juntamente com o Ministério da Agricultura do Japão e uma entidade privada daquele país, foi desenvolvida uma molécula que imita o odor sexual emitido pela fêmea - o feromônio - na época do acasalamento, que ocorre somente uma vez por ano, na época das chuvas.
Feromônios são substâncias voláteis empregadas naturalmente pelas fêmeas dos insetos para atrair os machos para o acasalamento. Há também o feromônio de rastro, por exemplo, da formiga; ou o feromônio da dispersão, das abelhas. No caso do migdolus as fêmeas do besouro emergem do solo durante o período das revoadas (de setembro a março) e têm que ser localizadas pelos machos. É então que entra o feromônio, servindo de isca para o macho que, atraído pelo cheiro de uma espécie de fêmea ‘‘artificial’’, cai numa armadilha.
PrejuízosO fato da larva do inseto viver debaixo da terra e só sair na superfície por um curto período, dificulta o controle. As revoadas podem ocorrer de setembro a março. Nessa época, as fêmeas sobem à superfície, atraem os machos, copulam e voltam a seu habitat natural, para a postura dos ovos. Os ovos eclodem e dão origem às larvas, que são as grandes causadoras de problemas no canavial.
Com um ciclo de vida longo (dois anos) as larvas alimentam-se do sistema radicular da cana de qualquer idade. Atacam o rizoma, podendo destruí-lo totalmente. Em canas jovens as touceiras aparecem parcial ou totalmente secas. Em plantações mais velhas as touceiras atacadas apresentam aspectos de cana afetada por seca ou fogo.
Os danos são queda da produtividade e até a perda da plantação. ‘‘O combate ao migdolus com inseticida é caro e pode ser prejudicial ao meio ambiente’’, garante o agrônomo. Segundo ele, que trabalha no controle biológico da praga, o uso das armadilhas com feromônio permite ao agricultor saber exatamente a dimensão do problema, para fazer a aplicação do inseticida apenas no momento exato em que o inseto está fora do solo.
Controle biológicoA praga tem causado problemas em algumas regiões do Paraná, em todo o Estado de São Paulo, além de localidades do Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Há também ataque em amoreiras, inviabilizando o plantio em algumas regiões do Paraná e São Paulo.
O migdolus é atualmente também a pior praga das amoreiras, porque destrói as raízes e debilita a planta até causar a sua morte. A afirmação é do agrônomo Júlio Noboru Takahashi, da Kanebo Silk do Brasil. A empresa está usando armadilhas com o feromônio nas unidades de produção em Nova Esperança e Umuarama, no Noroeste do Estado.
De acordo com o agrônomo o problema com migdolus começou há cinco anos. ‘‘O controle químico não é possível já que mata a lagarta do bicho-da-seda, inviabilizando a produção.’’ A única saída, garante Takahashi, foi usar as armadilhas com feromônio.
Nos solos arenosos as fêmeas conseguem circular com maior facilidade nas chamadas galerias, que são formadas debaixo da terra, e o controle fica mais difícil. A média é de três a quatro metros de profundidade, mas há casos de se encontrarem insetos a até sete metros de profundidade.
No controle biológico da praga, a armadilha captura o inseto adulto do migdolus que sai à procura da fêmea para o acasalamento. A armadilha foi desenvolvida no Japão e adaptada no Brasil para viabilizar os custos. Se fosse trazer o equipamento de fora do País, o custo seria de US$ 30,00 a unidade. ‘‘Depois da adaptação é possível conseguir o equipamento a um custo de R$ 3,00,’’ garante Menezes.

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