Chegou a vez do Brasil, diz presidente da Abramilho
Caso o Brasil consiga estruturar toda a cadeia produtiva de milho, os produtores vão poder aproveitar a atual situação do mercado internacional. Essa é a opinião do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli.
Ele explica que os Estados Unidos, que possuem uma produção cinco vezes maior que a brasileira, estão utilizando o cereal como gerador de biocombustíveis e
por isso precisam utilizar 42% de sua produção para suprir a demanda das fábricas, que já estão prontas para o funcionamento. "Se os EUA não tivessem tirado 150 milhões de toneladas do mercado, todo o mundo continuaria a ser abastecido por eles. Mas agora eles estão comprando o cereal também. Por isso digo que chegou o momento do Brasil", salienta Paolinelli.
Na China, a situação também é favorável ao Brasil. Mesmo sendo grande produtora de milho, o aumento do consumo interno em larga escala fez com que o os estoques chegassem a um deficit de 20 milhões de toneladas, que precisa ser suprido pelas importações. "Na Europa a justificativa é a mesma. Hoje existe um grande esforço para aumentar a produção, já que o consumo cresce de forma desenfreada", avalia o representante da Abramilho.
Para aproveitar este cenário, um plano nacional para a cultura está sendo desenvolvido juntamente com a Embrapa e Fundação Dom Cabral para que as principais demandas do setor sejam levadas ao governo federal. Reuniões por todo o país aconteceram junto a entidades ligadas ao setor para discutir assuntos como política de crédito, preço mínimo, seguro rural, além da logística, transporte e armazenamento de toda a produção. A última de seis grandes reuniões foi realizada recentemente em Cuiabá. "O projeto será apresentado junto ao governo ainda neste mês de março, no mais tardar em abril", relata Paolinelli.
A expectativa da Abramilho é de que a safra ultrapasse 70 milhões de toneladas durante todo o ano. "A nossa grande vantagem hoje é que produzimos o milho mais barato do mundo, e de grande qualidade", complementa o presidente da entidade. Até 2018, a expectativa é que a produção atinja 100 milhões de toneladas no País.
Exportações
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), projeta as exportações de milho na safra 2012/13 em 19 milhões de toneladas. Segundo números da Secretária de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior o ritmo dos embarques do cereal para atender a demanda mundial vem aumentando. Em fevereiro atingiu a marca de 3,37 milhões de toneladas, 297% superior aos números de janeiro. "O desempenho das exportações de milho é positivo, por posicionar o Brasil como um dos principais players internacionais. É preciso, entretanto, resguardar e capitalizar a importância do milho para o mercado interno. O produto é uma das importantes culturas do Brasil, principal componente da alimentação de aves, suínos, gado de leite e outras criações", relata o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Milho (Abimilho), Nelson Kowalski. (V.L.)







