Chegou a vez de pequenos e médios também ganharem
O Programa de Carne de Qualidade, desenvolvido pela Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), será ampliado este ano com objetivo de formar novas alianças mercadológicas na produção de carne de qualidade. A informação é do pesquisador Kepler Euclides Filho, coordenador do projeto, que funciona experimentalmente desde 1998.
Na ampliação se prevê, de acordo com o pesquisador, a inclusão de pequenos e médios pecuaristas que, isoladamente, não têm muitas oportunidades de melhorar sistemas de produção, obter qualidade e agregar valor à produção.
Além de um adicional previsto em 3% no preço da carne de melhor qualidade a ser entregue na indústria, o produtor deve perceber, alerta Kepler, que investimentos para aderir a uma aliança mercadológica e produzir com qualidade trazem ganhos adicionais ''periféricos'' na propriedade, aumentando eficiência, reduzindo custos e aumentando produção.
Em algumas alianças, de acordo com Kepler, pecuaristas têm recebido até 4% ou mais no diferencial de preços sobre a carne.
Outro ganho potencial está no couro dos animais, com possibilidade de arrecadar mais do que com a própria carne. ''Um couro bem cuidado pode resultar no ganho de uma arroba a mais por boi para o pecuarista.''
No novo projeto, o frigorífico terá inicialmente abate de 50 animais/dia, com capacidade para ampliar até 100 animais/dia. E a idéia é ampliar o volume e também a idéia para outras regiões do País.
Para ampliar o programa no Mato Grosso do Sul será construído um novo frigorífico. Até agora o projeto funcionava experimentalmente com fiscalização do Serviço de Inspeção Municipal. Agora, com verbas federais, terá o SIF (Serviço de Inspeção Federal), podendo ampliar a venda para todo o País.
Enquanto a planta não fica pronta os abates do projeto da Embrapa serão realizados num frigorífico local que será ''emprestado'' ao programa. Os abates estão previstos para começar em abril, mas já em março terá início o cadastramento das propriedades que irão participar como parceiros, fornecendo os animais para o abate. Contatos também estão sendo mantidos com distribuidores e grandes redes de supermercados para a venda do produto.
O pesquisador da Embrapa Kepler Euclides considera que a formação de alianças para produção de carnes, no modelo da Embrapa ou de outras que têm surgido nos últimos tempos, representa ''grande evolução para a pecuária nacional.''
A venda de um produto diferenciado agrega valor à atividade, fortalece a produção e incrementa o aumento consumo em nichos de mercado. A expansão na oferta de produtos diferenciados também pode signficar maior concorrência e beneficiar o consumidor, tornando os produtos mais acessíveis, hoje consumidos apenas pelos que têm maior poder aquisitivo.
Para Kepler, pecuaristas que não se enquadrarem nessa nova modalidade de produção e oferta constante de carne de qualidade e que não participarem com um diferencial no mercado poderão ficar a margem ou serem excluídos do processo de evolução pelo qual passa a pecuária brasileira.
''Primeiro o processo terá que funcionar no mercado interno. Parte do que se faz para conseguir qualidade já é uma exigência do mercado internacional.'' Consolidadas marcas de carnes no mercado brasileiro será a hora, na opinão do pesquisador, de pensar numa única marca para a carne brasileira, a fim de conquistar maior fatia de mercado externo. Ele imagina, a médio prazo, que uma união de várias raças e alianças mercadológicas que hoje funcionam separadas, juntas, vendendo a carne brasileira no exterior.
Kepler explica que o projeto, embora tenha nome de Programa Embrapa de Carne de Qualidade, só funciona com a participação de parceiros de todo a cadeia produtiva da carne como Sebrae, Senar, Federação da Agricultura do Mato Grosso do Sul (Famasul), Serviço de Defesa do Estado (Iagro), Secretaria de Produção, outras duas unidades da Embrapa (Tecnologia de Alimentos e Monitoração Ambiental), Universidade para Desenvolvimento da Região do Pantanal, Associação de Criadores do Mato Grosso do Sul (Acrisul), entre outros.
Os parceiros, de acordo com Kepler, ajudam no desenvolvimento e aplicação de tecnologias implantadas nas propriedades, bem como boas práticas de produção.





