''A gordura tende a ser eliminada em todas as etapas de produção, no frigorífico, no açougue e até no prato. Então pergunto, por que produzir com excesso?''. A questão foi levantada pelo veterinário Antônio Sversuti, responsável técnico do Núcleo de Criadores de Charolês do Norte do Paraná, durante a degustação promovida pela Folha Rural no último sábado.
Segundo Sversuti, o charolês se destaca pela produção de uma carne mais magra, sem excessos de gordura e marmoreio. ''O europeu não quer alimento gorduroso e como a raça tem origem francesa, o acabamento de gordura é reduzido em relação às outras raças'', explica.
O animal degustado durante o evento também faz parte de um programa de qualidade. Elaborado pelo núcleo de criadores da raça, em Apucarana, o projeto Charolês Premium envolve animais cruzados, desmamados com cerca de oito meses e abatidos com menos de 18 meses de idade.
O exemplar experimentado pelos convidados tinha 19 meses e era fruto do cruzamento de um touro charolês e uma matriz zebu. ''A matriz zebu confere rusticidade, enquanto o reprodutor europeu tem a precocidade a seu favor'', assinala o veterinário.
Nascido na Fazenda Santa Catarina, em Califórnia (19 km ao sul de Apucarana), o bezerro foi mantido a pasto até o desmame, com nove meses. Além da pastagem, o animal recebeu um complemento alimentar a base de sal mineral. Com cerca de 300 quilos, o animal foi transferido para o confinamento, onde permaneceu até o abate, quando seu peso superava 560 quilos. ''O ganho médio diário do nascimento ao abate foi de 0,921 quilos. Só no confinamento, o ganho médio foi de 1,134 quilos por dia'', calcula Sversuti.
Ele explica que a alimentação básica usada no confinamento do rebanho destinado ao programa de qualidade agrega milho triturado e um composto de origem protéica ou energética. ''O lote em desenvolvimento recebe ração a base de proteínas e o lote em acabamento é alimentado com um concentrado energético'', completa o veterinário. Ele ressalta que num período de 90 dias antes do abate, o rebanho não recebe nenhum tipo de medicamento. ''Em caso de doença, o boi é descartado'', afirma. (M.G.)

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