Charolês, opção no cruzamento Associação quer consolidar uso da raça na cruza. Trabalho de divulgação começa pela feira em Umuarama, no Noroeste do PR Da Redação Criadores da raça charolesa estão entusiasmados com a participação na 26ª Exposição Agropecuária de Umuarama, no Noroeste do Paraná, que acontece até o próximo domingo, dia 19, no Parque de Exposições Dario Pimenta da Nóbrega. A feira foi aberta ontem, dia 10. O leilão do charolês será quinta-feira, dia 16, às 20 horas. Este ano, no leilão, estarão à disposição dos compradores 50 touros rústicos entre PO (Puro de Origem) e Flor de Lis. ‘‘Outros 50 animais de alta genética, premiados em várias feiras, também estarão presentes na exposição’’, garante o presidente da Associação Paranaense de Criadores de Charolês (APrCC), Alberto Reis. ‘‘Umuarama transformou-se numa das melhores praças para a comercialização do charolês nos últimos anos’’, comenta Reis. Segundo ele, nos dois leilões anuais realizados na cidade os preços estão sempre acima da média de outras feiras. Cruzamentos Há 80 anos no Paraná e quase um século no Brasil, a raça charolesa, que tem procedência européia (francesa), tem despertado o interesse dos criadores por atributos como rusticidade, precocidade e adaptação dos animais aos diferentes tipos de clima e pastagem. ‘‘Além disso, o charolês tem apresentado potencial para cruzamentos genéticos. A espécie tem sido escolhida para a criação de novas raças como o canchim - com experiência em vários Estados brasileiros - e o paranaense purunã, lançado em 1999’’, destaca o presidente da associação, Alberto Reis. Dentro do próprio rebanho charolês do Paraná, de acordo com Alberto Reis, ‘‘há a preocupação constante do aprimoramento da raça.’’ O Paraná, segundo ele, já é uma referência genética do charolês no Brasil. Parcerias Para maior aprimoramento a associação tem firmado parcerias. Em outubro do ano passado, durante a Feira do Paraná, em Curitiba, iniciou um trabalho com o setor de Ciências Agrárias da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR). A união, garante Alberto Reis, tem resultado em programas específicos para a seleção de rebanhos charoleses, que englobam desde a classificação do touro até a identificação científica dos melhores rebanhos. Felipe Pohl de Souza, professor da PUC-PR, um dos coordenadores do programa, conta que já estão em curso os estudos para o credenciamento científico do charolês. ‘‘Como a raça já provou ser totalmente adaptável ao País, o próximo passo é padronizar os rebanhos e fazer um trabalho de valorização deste gado, somado ao que já feito nas diversas exposições agropecuárias. Não basta dizer que o touro tem ganho um bom peso por dia. É necessário estabelecer parâmetros para comprovar esse ganho’’, analisa Souza. A exemplo do nelore De acordo com Felipe Souza, o trabalho de seleção realizado com o nelore, revolucionou a raça. ‘‘E é isso o que nós esperamos para o charolês’’, compara. O superintendente técnico da associação, Wahid Ribeiro Makki, afirma que o mercado do charolês está aquecido. ‘‘A precocidade, rusticidade e capacidade de ganho de peso do charolês se encaixam de forma especial para a reprodução de pecuária de curta duração’’, garante. O resultado do vigor híbrido do charolês, segundo Alberto Reis, também é observado ‘‘na qualidade da carne e no rendimento significativo da carcaça. A característica principal deste animal é o aprontamento do boi para o abate, no mínimo três a quatro meses antes das outras raças’’. A associação também planeja o lançamento de uma revista específica sobre o charolês, para destacar avanços da raça, mercado, leilões e eventos no Estado. No Paraná, o charolês chegou primeiro na cidade de Clevelândia, Sudoeste do Estado, que até hoje mantém os maiores criatórios da raça e onde inclusive está sediada a associação. A associação foi criada há 20 anos. A meta este ano, segundo o presidente da entidade, é superar o ‘‘saldo positivo do ano passado, quando a associação participou de cinco grandes exposições. Atualmente, a entidade conta com 175 associados. São cinco núcleos no Estado: Clevelância (sede), Guarapuava, Ponta Grossa, Curitiba e Apucarana. No ano passado foi criado o ranking da raça. Dividido em cinco etapas – Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina; 6ª Expo Brasil de Charolês, em Guarapuava; 8ª Sul Brasil de Charolês, em Ribeirão Preto (SP); Expo Charolês do Sudoeste, em Palmas, e Feira do Paraná, em Curitiba – o ranking premiou os melhores criadores, expositores e plantéis.