Chamando à responsabilidade
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sexta-feira, 13 de abril de 2018
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

Quem acompanha o agronegócio mais de perto já deve ter ouvido aquele máxima sobre a responsabilidade brasileira de alimentar o mundo nas próximas décadas. Pode parecer clichê algo estratégico para empresas ligadas ao setor buscarem mais rentabilidade mas o que se percebe é uma movimentação enorme (e verdadeira) de entidades sérias ligadas ao agro para que, de fato, o País abrace essa oportunidade e atinja um novo patamar em nível global. Por outro lado, os produtores ainda ficam meio, digamos, reticentes com o assunto.
Durante a 58ª edição da ExpoLondrina, que encerra neste domingo (15) no Parque Ney Braga, isso ficou claro em diversas discussões e eventos, principalmente ligados ao 3º Fórum do Agronegócio, que reuniu lideranças de peso na cidade. É nítido que, junto com a oportunidade, o Brasil terá que enfrentar duros embates com outros países, que não estão nada confortáveis com o nosso protagonismo. Em resumo, o Brasil ganhar dinheiro e se posicionar como o "grande abastecedor mundial de alimentos" significa que outras nações fortes perderão nichos de mercado. É preciso se preparar para esse embate cada vez mais duro. Uma guerra que usa como armas barreiras econômicas, fitossanitárias, tarifárias, exigências de certificações, negociações duras, troca de favores, entre tantas outras estratégias.
As projeções da ONU (Organização das Nações Unidas) e da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), entretanto, mostram que vale a pena comprar essa briga pelo protagonismo em fornecer alimentos. Para abastecer a população mundial em dez anos, a oferta mundial de alimentos precisa crescer 20%. Para isso, a oferta de produtos brasileiros deve evoluir consideráveis 48%. Um percentual possível, mas extremamente desafiador.

Em 2017, as exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 96 bilhões, alta de 13% comparado ao ano anterior. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2016/17 foi a maior da história, totalizando algo em torno de 238 milhões de toneladas. A safra 2017/18 deve fechar um pouco abaixo, mas com números bem similares.
Só na Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos)- que atua na promoção de exportações, atrações de investimentos para o Brasil e internacionalização de empresas são 17 projetos ligados ao agronegócio que movimentaram, em 2017, US$ 20 bilhões.
A coordenadora de estratégias para o mercado da Apex, Suemi Mori Andrade, salienta como toda essa força assusta outros players mundiais. "Essa competitividade é alvo de muitos ataques internacionais, que tentam achar (problemas em relação) porque o Brasil cresceu tanto. Organizações europeias atacam o País dizendo que tudo foi a custo de desmatamento e destruição de recursos naturais". Uma verdadeira guerra de mercado.
Suemi entretanto relata que o Brasil contra-argumenta tudo isso com dados sólidos acerca da evolução em volume. "Entre a safra 1976/77 e 2016/17, a produção cresceu mais de 400%, a produtividade 200% e a expansão do uso da terra de 63%. Ou seja, o crescimento das exportações não foi à custa da expansão do território ou uso do solo, que hoje é um dos grandes temas de ataque. O Brasil não conseguiu esses resultados apenas com uso de recursos naturais, mas sim por meio de muita tecnologia, espírito empreendedor e políticas públicas que deram certo", afirma.


