Chácara Marabú: um pequeno paraíso
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sexta-feira, 01 de junho de 2007
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
''Aqui vocês encontrarão um pedaço de terra ainda intacto, onde plantas e animais são bem tratados, assim como cada pessoa que vem nos visitar''.
A frase abre o site da Pousada Marabú, que fica na chácara que leva o mesmo nome, localizada a apenas dois quilômetros de Rolândia (25 Km a oeste de Londrina). Uma visita ao local, comprova a hospitalidade, a beleza e o aconchego do lugar, que conta a história do casal Arnold e Alice Rechsteiner, suíços que fugiram dos horrores da guerra em busca de prosperidade em terras brasileiras, em 1937.
Hoje, 70 anos depois da chegada do casal, os descendentes continuam mantendo a área de três alqueires preservada e dividem com amigos e visitantes a beleza do lugar. A mata nativa se mantém intacto da ação do homem, dos efeitos dos agrotóxicos. O pioneiro Arnold era avesso às modernidades e tinha a visão de que a natureza precisava ser preservada.
Por isso, tudo o que é produzido na terra, até hoje, é natural. A maior parte das frutas transformadas em geléias e licores, vendidas na própria chácara ou na feira-livre de Rolândia, também nasce na área sem interferência do homem. ''Os pássaros trazem as sementes'', afirma Úrsula Saegesser, filha do casal Rechsteiner, que preserva a chácara com ajuda do filho Adrian Saegesser. ''Por causa disso é que encontramos as árvores esparramadas, cada uma num lugar''.
Mas todo esse patrimônio já esteve ameaçado. Em 2005 e 2006, Úrsula e o marido Heino Saegesser sofreram três assaltos violentos. O casal mudou para a cidade e resolveu vender a chácara. O problema é que as terras seriam loteadas e a mata, até então preservada, poderia desaparecer.
Reconhecendo o valor histórico e natural do lugar, familiares e amigos resolveram manter o pequeno paraíso, trabalhando e produzindo o que for possível para arrecadar fundos e garantir a sustentabilidade e a preservação da propriedade.
Além da pousada com quartos rústicos e muito acolhedores, os visitantes também podem saborear o café colonial, servido nos finais de semana e o almoço rural que será servido a partir deste mês.
Para aproveitar ainda mais o potencial turístico da chácara, os proprietários planejam a restauração das primeiras casas de madeira habitadas pela família Rechsteiner, além do galpão que abrigava os equipamentos de trabalho no campo, construídos nas décadas de 1930 e 1940.
''Estamos tentando manter a área em nossas mãos e assim colaborar com a natureza, preservando a história e principalmente a mata nativa, tão importante para a cidade'', afirma Adrian.


