Cestas, feiras e WhatsApp: vínculo forte com o consumidor final
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sábado, 14 de setembro de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

O brasileiro mudou a chave em relação ao consumo de produtos orgânicos. Se no passado recente aquele legume ou fruta sem defensivos e certificação ficava escanteado nas gôndolas do supermercado ou sacolão – com status de extravagante devido ao preço elevado – hoje o destaque é enorme, quase uma exigência. Mais do que isso: a relação fidelizada do produtor com o consumidor final, aproximando os extremos da cadeia, é rotineira, pela venda de cestas, grupos de WhatsApp e as feiras que pipocam pelos quatro cantos da cidade. Agora, o possível fortalecimento das vendas por meio da merenda escolar no Estado pode novamente dar um boom produtivo.
O casal Gustavo Reis e Daiane Vetter, que tem uma propriedade de dois hectares no distrito de Guaravera, acompanhou essa mudança de comportamento do consumidor da região. Desde 2010 no sítio, eles viram o mix de produtos crescer de forma gradativa, juntamente com o vínculo direto com o consumidor. Hoje eles vendem cestas personalizadas aos consumidores, além de participar da Feira de Orgânicos do Zerão, do produtor na rua Benjamin Constant, feira do Lago da Vectra e Vila Verde no Catuaí Shopping. “Há dois anos não dependo mais de supermercados e sacolões e vendo direto ao consumidor final. Só quando temos excedente da produção é que os produtores se reúnem para comercializar nesses locais”, explica Reis.
A variedade de produtos na horta do casal é enorme e de acordo com o clima: brócolis, repolho, couve-flor, ervilha-torta, ervilha de grãos, tomatinho na estufa, vagem, couve, alface crespa, americana, beterraba, cenoura, quiabo, milho verde, frutas e por aí vai. A vontade de produzir orgânicos veio logo que casaram, em 2010. A propriedade é da família de Reis e ele resolveu voltar ao campo. “Nasci em Londrina e meus pais tinham essa propriedade em Guaravera. Eu já tinha essa ideia de produzir sem agrotóxico, de viver dessa forma.”
É claro que para todo esse ideal se tornar realidade, o conhecimento entrou na jogada. Só depois de dois anos produzindo que o casal conseguiu a certificação. Foi uma necessidade que surgiu juntamente com o aumento da demanda. O selo da Tecpar veio com a ajuda da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Eles também possuem a certificação da Ecovida, uma rede de agroecologia. “De 2010 para cá muita coisa mudou, a procura aumentou e mais pessoas se interessam pelos produtos. Chegou um momento que a venda para sacolões e mercadinhos ficou ruim sem a certificação, porque eles não valorizavam mais os produtos sem o selo. Ficamos com essa necessidade principalmente pela venda.”
Como já atuavam na agroecologia, o trabalho com manejo foi um pouco mais simples do que aqueles produtores que fazem a transição da agricultura convencional. A dedicação foi maior na gestão e nas anotações. “Tem o caderno de campo, uma série de burocracias exigidas, guardar as notas de entrada, de saída... Em relação ao manejo, foi um pouco mais tranquilo, já fazíamos rotação de cultura, consórcios, usamos plantas repelentes, caudas naturais, adubação verde... O que fizemos foi o manejo de barreiras, aprimorando e aprendendo cada vez mais.”
Apesar da ascensão, Reis prefere não projetar muito o futuro. Ele sonha com um aumento da produção, mas para isso precisa do respaldo da venda certeira. “É mais difícil vender do que produzir. Se tiver esse incentivo do Estado (para as vendas na merenda escolar), isso seria maravilho, além da segurança alimentar para as crianças. Mas o produtor precisar ter a segurança na venda para poder investir e ter mais produtos.”


