O Projeto de Cafés Especiais surgiu em 2006 e neste período muito se conquistou na região do Norte Pioneiro do Paraná. Hoje, tais cafés diferenciados possuem grande representatividade no mercado nacional e internacional. Na região, a produção de cafés especiais ainda é bem variada. Há cafeicultores produzindo 50 sacas, enquanto outros colhem na casa das 7 mil sacas de café.
De acordo com o presidente da Cooperativa dos Produtores de Cafés Certificados e Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Cocenpp), Luiz Fernando de Andrade Leite, o maior legado da Indicação Geográfica de Procedência (IGP) é o reconhecimento da região como produtora de café de qualidade. "É um resgate do Norte Pioneiro. Hoje, nosso objetivo é montar, dentro da estrutura que possuímos, um padrão mínimo de qualidade, criando processos em que cada produtor siga os protocolos da IGP. Com isso, o consumidor final tem a garantia que aquele café foi produzido com cuidado e zelo."
Leite conta que assim como existem regiões por todo o mundo com a certificação da Indicação Geográfica de Procedência, como os vinhos na Itália, por exemplo, o consumidor saberá que quando adquire um café especial do Norte Pioneiro, está comprando um produto diferenciado. "Nosso cafés já estão reconhecidos no mercado interno e externo, o que precisamos fazer agora é ganhar escala. A IGP nada mais é do que um protocolo para que consigamos colocar esse produto no mercado em maior volume."
A ideia é que as tecnologias sejam acessadas pelos pequenos produtores, aumentando a produtividade e a oferta dos bons cafés. "Já temos condições climáticas excelentes. Basicamente, eles precisam adotar as tecnologias, por isso temos parcerias com o Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) e o Instituto Federal de Muzambinho, de Minas Gerais, que possuem agrônomos que mensalmente vêm visitar nossos produtores."
Em relação à comercialização, a evolução é nítida entre os cafeicultores. Só no mês de outubro serão exportados mais três contêineres para a empresa de torrefação Green Mountain, dos Estados Unidos. "O que mais importa é que quem está se adequando aos nossos protocolos agrega entre R$ 80 e R$ 100 por saca beneficiada."
Para atingir esse nível, alguns processos na propriedade são fundamentais. O trabalho começa na escolha da variedade, plantio, adubação, controle de pragas e doenças, secagem, etc. "Não é nenhum bicho de sete cabeças. Todo produtor do Norte Pioneiro pode participar, basta apenas estar aberto para usar tais tecnologias, sair da zona de conforto, trabalhar de forma associativa e, certamente, vai conseguir produzir um excelente café especial", complementa Leite. (V.L.)

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