Certificação não sai barato
Para que um produto paranaense consiga o mercado norte-americano, por exemplo, poderá desembolsar em torno de R$ 3 mil por ano só com certificação, afirma Valdemir José Batista, gerente da Associação dos Produtores de Orgânicos da Região de Londrina (Apol). A associação, que integra 12 produtores, todos certificados, comercializa para escolas da região e abastece mercados de São Paulo e Curitiba.
O gerente da Apol reclama da burocracia e acrescenta que a assistência técnica é muito limitada, o que impede o desenvolvimento da agricultura orgânica.
Batista revela que o mercado de orgânicos em Londrina ainda é pequeno, por isso a associação busca negociar com os grandes centros urbanos, que revendem os produtos com um valor mais elevado. Muitas vezes, conta ele, um produto sai do município, vai para a capital e é revendido para os consumidores do Norte do Paraná. Segundo ele, entregar um produto diretamente ao consumidor demanda muito trabalho. "Só por meio de um grupo forte para fazer essa ação."
independente
Rogério Palma conseguiu o registro de certificação de sua produção de tomate, abobrinha e pimentão, todos orgânicos, em 2008. Para conseguir o certificado, o agricultor precisou recorrer a uma empresa privada. Ele conta que não foi difícil obter a certificação, mas reclama que o custo foi alto. Por ano, Palma desembolsa R$ 1,8 mil para manter a produção de 50 toneladas de produtos orgânicos em uma área de cultivo de apenas 1,5 hectare. O forte da propriedade é tomate, que corresponde a 90% da produção.
Outro fator que encarece o cultivo orgânica é o valor da mão de obra, que representa em torno de 80% dos custos de produção. Palma recebe em torno de R$ 4 o quilo (kg), enquanto que no atacado o valor pode variar entre R$ 11 e R$ 14/kg. "Não é qualquer produtor que tem condições de arcar com os custos. Por isso, é preciso se organizar", observa. Ele lembra ainda que o produtor não pode esquecer de cuidar das Áreas de Proteção Permanente (APPs) e Reserva Legal (RL). (R.M.)





