O mercado norte-americano é um dos grandes consumidores dos cafés certificados fair trade. De acordo com Olga Cuellar, representante da importadora da cafés Sustainable Harvest, a demanda por esse tipo de produto tem crescido nos últimos anos. Segundo ela, o comércio justo exige regras de sustentabilidade e assegura um preço mínimo para o produtor. ''Quando você compra um café fair trade está sabendo que paga um pouco mais, mas esse valor vai para o produtor. Isso garante que eu, enquanto consumidora, estou contribuindo'', argumenta.
A Sustainable Harvest importa para os Estados Unidos cafés especiais, certificados orgânicos e fair trade de 15 países. Do total de mercadoria comercializada, 97% é certificada e 75% possui dupla certificação (fair trade e orgânico). Segundo Olga, o maior produtor de fair trade é o Peru, seguido da Nicarágua e Colômbia. No Brasil, a maior parte dos produtores com selo fair trade está localizada no Sul de Minas, que possui 22 organizações. ''O fair trade é uma solução para os pequenos produtores que querem vender seu produto com preço maior, mas essa certificação ainda é reduzida no Brasil'', avalia. Olga esteve em Jacarezinho, em novembro do ano passado, para participar de negociações durante a Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé).
A ong norte-americana Fair Trade USA estimula o comércio justo entre produtores e consumidores, com o objetivo de aumentar a demanda por produtos com selo fair trade nos Estados Unidos. Para isso, a ong executa programas de comercialização, marketing e de apoio aos produtores para fortalecer a cadeia. Segundo Jenifer Roberts, gerente de relações de produção da Fair Trade USA, em 2010, os EUA importou mais de 100 milhões de libras de café fair trade, o que representa US$ 11 milhões em prêmio destinado às organizações certificadas em comércio justo.
Jenifer, que também participou da Ficafé, afirma que em 2010 o Brasil representou 4% do mercado da ong. ''Mas o volume está crescendo e há muito interesse de companhias americanas por produtos brasileiros porque elas querem explorar outros mercados'', revela. Segundo ela, em 2006 a ong importou cerca de 6 milhões de libras de café fair trade do Brasil e essa mesma quantidade foi importada nos seis primeiros meses de 2011, o que representa esse crescimento. A ong investe aproximadamente US$ 2,5 milhões em projetos para estimular o fair trade no Brasil, com projetos voltados a cafeicultores de Minas Gerais e Espírito Santo. A gerente da Fair Trade USA afirma que o objetivo é dobrar o mercado de comércio justo até 2015. (M.F.)

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