A pesquisa da soja no Brasil Central começou por volta de 1970, mas se intensificou a partir de 1975, quando surgiu a Embrapa Soja em Londrina. ''Sabíamos que precisávamos oferecer uma opção econômica e de expansão agrícola para o Brasil Central e concentramos todos os esforços neste sentido. Nas condições normais daquela região a soja não se desenvolveria. Como o dia lá é mais curto do que no Sul no verão, as plantas ficavam pequenas. Foi aí que entrou o grande trabalho do pesquisador brasileiro, de desenvolver variedades para o Cerrado'', afirma o melhorista José Ferraz de Toledo.
Porém, o sucesso da soja no Cerrado não foi imediato. Segundo Antônio Carlos Roessing, da área de economia rural, a pesquisa teve um ''processo de incubação'' de 15 anos até aparecerem bons resultados de produtividade. ''Mas quando apareceram, foram vertiginosos. Enquanto no período de 1980 a 1990 o aumento de produtividade foi de apenas 0,54% ao ano, de 1990 a 2000 a taxa subiu para 3,44%.'', diz ele.
E o Centro-Oeste ainda dispõe de vasta área para soja para que o Brasil possa fazer frente à crescente demanda mundial. Somente no Ecossistema dos Cerrados, há 90 milhões de hectares de terras prontas para serem incorporadas ao processo produtivo de soja, segundo a Embrapa. Como por enquanto o Brasil só tem 21 milhões de hectares ocupados com soja, essa fartura garante ao País um diferencial em relação aos seus concorrentes. Com exceção da Argentina, que ainda dispõe de uma área de 20 milhões de hectares (já cultiva 15 milhões), nos EUA, China e Índia a área cultivada com soja só poderá crescer se ocupar o lugar de outros cultivos já existentes. (J.K.)

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