Cascavel - Pode não ser a salvação da horta, mas a pretensão da tecnologia de torneamento de cenouras é agregar valor à matéria prima de pouco valor comercial no período de safra. Segundo João Bosco Carvalho, pesquisador da área de fitotecnia da Embrapa Hortaliças, de Brasília, o País já chegou a importar mil toneladas de baby carrot dos Estados Unidos, Bélgica e Austrália, com o quilo do produto chegando à gôndola do supermercado a R$ 17,00.
No entanto, anualmente o Brasil colhe 75 mil toneladas da chamada ‘‘primeirinha’’, que são cenouras de 3 centímetros de diâmetro, que correspondem a cerca de 10% da safra. É considerado produto de descarte e chega a ser negociado entre R$ 3,00 e R$ 4,00 a caixa de 20 quilos. No entanto, com a técnica de produção de cenorete, semelhante à importada, e de catetinho - em bolinha - é possível colocar o produto no mercado com valor entre R$ 6,00 e R$ 7,00 o quilo, de acordo com o pesquisador. ‘‘A experiência já está sendo desenvolvida em Brasília, com sucesso, pois é um produto de qualidade e de preço mais acessível’’, garante.
Carvalho lembra que a tecnologia, na verdade uma adaptação do processo utilizado para descascar batatas, surgiu quase que por acaso. A Embrapa havia desenvolvido a variedade de cenoura Alvorada, que tem o miolo da mesma cor da polpa e, por isso, de maior aceitação pela indústria. E foi durante visitas que Carvalho descobriu que as empresas utilizavam a mesma máquina de descascar batatas para limpar as cenouras. Para chegar ao equipamento específico para produzir a minicenoura foram necessárias algumas adaptações.
‘‘O processo é bem simples’’, garante o pesquisador. A cenoura é cortada de acordo com o que se quer produzir. Depois é levada para a máquina para o desbaste até adquirir o formato da cenorete ou catetinho. De acordo com Carvalho, no processo, a perda é de 50%. No entanto, a raspa é coletada e colocada para secar, visando ao aproveitamento na ração animal ou mesmo como ingrediente para sopas. ‘‘Com isso, obtém-se um produto de alto valor nutritivo, à base de amido e de vitamina A, que pode se transformar em nova fonte de renda’’, comenta.
Carvalho diz que a tecnologia de produção de minicenoura é própria para grupos de produtores, que buscam melhorar o rendimento com a agregação de valor à matéria prima. Segundo ele, com um investimento de R$ 5 mil é possível montar uma pequena agroindústria. Apesar de ser um produto novo, ele acredita que a tendência é de ampliação do mercado no Brasil, pelas propriedades que a cenorete apresenta, a começar pela qualidade e a comodidade, pois é um produto pronto para ser consumido. ‘‘A cenoura passa por processo de higienização, é embalada a vácuo e mantida sobe refrigeração, o que assegura a qualidade’’, disse, acrescentando que se começar por 10% da produção nacional já ‘‘será um volume interessante’’. O pesquisador lembra, porém, que nos Estados Unidos o consumo de processados é de 90%.

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