Cenário é preocupante, admite Faep
"Estou bem pessimista. Tenho conversado com algumas entidades e o cenário é bem preocupante". A declaração é do assessor técnico e econômico da Federação de Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Hancke Camargo, quando questionado sobre a expectativa dele em relação à armazenagem e escoamento da safra paranaense, estimada em 42 de milhões de toneladas.
Ele explica que, além da safra de soja projetada em 19 milhões de toneladas e milho safrinha próxima a 14 milhões de toneladas, ainda existem aproximadamente 500 mil toneladas de trigo da safra passada que continuam nos armazéns. "Em 2012, tivemos uma situação que as cooperativas precisaram inclusive armazenar a produção em céu aberto. Talvez tenhamos um cenário parecido ou até pior nesta safra", decreta ele.
Para os próximos 40 dias, Hancke acredita que os produtores podem até comercializar parte da safra de soja e diminuir a pressão sobre a capacidade estática do Estado, mas não deve ser algo que impacte tanto assim. "Até agosto, teríamos que escoar essa produção de forma significativa. Pela leitura de safras anteriores, vejo que hoje o produtor esta capitalizado, sem dificuldade de fluxo de caixa e está segurando para o preço reagir. A velocidade de exportação está bem atípica comparada a anos anteriores".
Tema discutido na Faep "há muito tempo", o especialista acredita que o "pulo do gato" é criar alternativas de armazenamento ao nível de produtor, ou seja, nas propriedades rurais. Para isso, claro, é necessário recursos de forma que o produtor possa captá-los. "Com o atual cenário econômico, o custo é alto e a atratividade baixa para fazer esses investimentos. Nossa capacidade estática em termos de produtor hoje fica em 5% a 6%, é um valor ridículo".
Por outro lado, Hancke elogia a estrutura de escoamento do Porto de Paranaguá, "que hoje está com uma excelente gestão". "Hoje estamos com apenas sete navios atracados e a exportação está lenta. É claro que se tivermos um boom de vendas, pode haver gargalos em Paranaguá. Por isso a importância de aumentar a capacidade de atracação de navios no Porto. Inclusive, já existe um projeto para que isso aconteça". (V.L.)





