O manejo dos animais requer atenção à alimentação, tratos, cuidados com enfermidades e ameaças de ataques de predadores e insetos peçonhentos. A picada de cobra, por exemplo, pode levar o animal à morte caso o socorro não seja imediato. Para se precaver dessas ocorrências o pecuarista deve manter na propriedade o soro antiofídico e antitetânico e contar com assistência de um médico veterinário.
Na região de Londrina uma empresa se dedica à fabricação de produtos veterinários, disponibilizando no mercado soro antiofídico, antitetânico, antibotulínico e para cães os soros anticinomose, antiparvovirose, anticoronavirose, contra hepatite infecciosa e parainfluenza. A Vencofarma fornece os produtos para todo o Brasil e exporta para e Venezuela e Paraguai. O veneno da cobra é adquirido de serpentários de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso.
A empresa mantém no Sítio das Cobras, em Cambé, uma criação de 121 cavalos e toda a estrutura necessária para a fabricação do antígeno que dará origem ao soro. Num laboratório são realizadas as etapas finais do produto.
Uma pequena dose do veneno de cobra, no caso do soro antiofídico, é inoculada nos cavalos, que produzem anticorpos. Para os outros soros, é inoculado o vírus inativado ou a toxina bacteriana que provoca a doença. Depois de um período é feita uma análise e se a resposta imunológica for boa, o sangue é retirado para a produção do soro no laboratório. O processo é iniciado ainda na propriedade: o sangue coletado - cerca de 20 litros de cada animal, o equivalente a 5% ou 6% do seu peso - é deixado em descanso. Algum tempo depois, o plasma se separa dos elementos figurados do sangue (hemácias, leucócitos e plaquetas), que decantam.
''O plasma, que contém as proteínas para neutralizar a ação do veneno, é purificado e se transforma no soro'', explica Luciano Benini Oliveira, biólogo que acompanha o trabalho no sítio. Cada dez cavalos fornecem de 90 a 120 litros de plasma que resultam em 2.500 a 6.500 doses de soro, dependendo do produto. No mesmo dia, as hemácias são inoculadas novamente nos animais.
Os equinos são a espécie ideal para a fabricação de soros. ''São animais resistentes, dóceis e têm boa quantidade de sangue'', explica Oliveira. No entanto, para obter bom rendimento o plantel é submetido a cuidados especiais, sobretudo com a alimentação. De acordo com o biólogo, os cavalos comprados para esta finalidade são avaliados de acordo com o porte e algumas características especiais. ''A raça crioula é a melhor'', afirma Antonio Soares Rodrigues, funcionário da propriedade que diz ''ter olho clínico'' na
hora de avaliar os animais.
O manejo é definido para garantir boa produção e a saúde dos cavalos. Divididos em lotes, passam por um cronograma, que lhes permite um descanso de duas semanas. Nas duas primeiras semanas, é feita a aplicação do veneno, na terceira é realizada uma coleta para comprovar a resposta imunológica e na quarta semana, a sangria definitiva para a retirada do plasma.
Os cuidados com os animais começam na chegada à propriedade. Os cavalos ficam em quarentena e são realizados exames para comprovar a sanidade, como anemia infecciosa e brucelose, entre outros. De acordo com o biólogo, os animais com frequência são avaliados pelo veterinário da empresa.

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