Responda rápido: a cavalo dado se olham os dentes? Pois deveria. A saúde bucal dos equinos, principalmente dos cavalos ''atletas'' e de trabalho, é muito importante para o desempenho do animal. Quem faz o alerta é o médico veterinário Luís Mário Pires de Souza, 48 anos, que há sete trabalha com odontologia clínica equina. Souza é um dos poucos veterinários brasileiros especializados na área. Para se ter uma idéia, há apenas quatro ele e outros três profissionais da área em todo o Sul do País. No Brasil inteiro, estima, não devem passar de 20 profissionais.
Segundo o veterinário, a maioria dos criadores e proprietários de cavalos desconhecem a importância de submeter o animal a avaliações periódicas e realizar o tratamento quando necessário. Com dentes regulares, bem cuidados, ele se alimenta melhor e, consequentemente, tem melhor performance. Isso vale para qualquer tipo de competição, seja hipismo, corrida ou até provas de tambor e baliza'', garante. Segundo ele, o animal de competição tem que ''estar afiado como um carro de fórmula 1''. ''Assim, como na F1, às vezes é o detalhe faz que ganhar a prova''.
O cavalo de trabalho também precisaria receber esse tratamento mas, de acordo com Souza, às vezes o custo não compensa. ''É um trabalho caro, já que a gente utiliza só materiais importados. E o custo, muitas vezes, acaba superando o valor comercial do animal'', explica. Já o animal criado a pasto e utilizado para montaria apenas aos finais de semana não exige o mesmo cuidado. ''O animal criado a campo tem uma alimentação e mastigaçãoadequadas já que pasta 22 horas por dia. Isso significa um desgaste correto dos dentes. Já o de cocheira mastiga apenas três horas por dia'', diferencia.
O veterinário, que mora em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, já viajou o Brasil inteiro para dar atendimento a animais. Hoje, ele atende mais Paraná e Santa Catarina. ''Há falta de profissionais na área. Infelizmente, essa não é uma especialidade que se aprenda nas faculdades brasileiras'', diz.
Ele mesmo aprendeu na prática com outro veterinário, que fez curso de especialização nos Estados Unidos. ''Aí fui estudando por conta própria e me dedicando ao assunto'', diz. Nesta semana, ele esteve em Londrina cuidando de três animais de competição. Depois deu uma aula sobre o assunto para alunos do curso de veterinária da Universidade Norte do Paraná (Unopar).

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