Cavalo, negócio de alto custo
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sexta-feira, 12 de maio de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
Apesar da raça paint horse ser destaque para o público, principalmente por causa da pelagem, entre os criadores a maior atenção é dada às raças quarto-de-milha e mangalarga, na Exposição de Maringá. Os pecuaristas podem admirar os melhores exemplares dessas duas raças em ação, e também comprar animais de trabalho das melhores procedências. Mas, para quem pensa em criar cavalos, os especialistas dão um conselho: Hoje, quem não tiver cavalos atletas, não consegue manter a criação afirma Hélio Costa Curta, criador de quarto-de-milha e membro de entidades que atuam junto a criadores e organização de provas.
A 28ª Expoingá, que termina amanhã em Maringá, pode quebrar todos os seus recordes. Os dois primeiros leilões, de cavalo paint e gado geral, no final de semana passada, superaram as expectativas. Fizemos reuniões, divulgando os leilões em mais de 10 municipios. Estamos colhendo os resultados, diz o presidente da Sociedade Rural de Maringá, Alcides Fanhani. A presença de criadores nos leilões também surpreendeu, porque mais de 500 pessoas participaram do remate de gado geral. O leilão de gado geral, na avaliação de Fanhani, superou os recordes anteriores: foram ofertados 1.640 animais e comercializados 1.530, movimentando R$466 mil.
Paint horseOutro destaque foi o leilão de cavalo paint, que começa a ganhar espaço entre os criadores da região e arrecadou mais de R$100 mil. Comercializamos apenas animais de alta linhagem e procedência garantida, por isso alcançamos um resultado acima das expectativas, disse o criador Valentim Meneguetti, presidente da Associação Paranaense de Paint Horse.
A presença do cavalo paint na feira, pelo segundo ano consecutivo, mostra a aceitação da raça pelos criadores da região. De origem norte-americana, o paint horse chegou ao Brasil há menos de cinco anos, mas tem se espalhado por todo o País devido às qualidades do animal. Hoje o paint é o cavalo mais valorizado do País, garante o tratador Clemente Fernandes dos Santos, o Kelé, que trabalha com o criador Paulo Tripoloni. O destaque para a raça, que chama a atenção dos criadores e também do público, é a pelagem do paint.
Mas se trata de um animal bom para todas as aplicações, alerta Kelé. Ele garante que o paint horse tem aptidão para o trabalho, a competição, ou apenas apresentação. A nível de mercado, o paint é equiparado ao quarto-de-milha, raça mais procurada pelos criadores. Os animais puros são exigentes no trato. Mas os de trabalho apresentam rusticidade e boa adaptação a qualquer condição de clima e de serviço, lembra Kelé.
Segundo Costa Curta, criar cavalos é uma atividade de alto custo, e quem tem animais apenas para desfiles e exposições não consegue mais sobreviver. O criador precisa ter exemplares de competição, seja no hipismo clássico, no hipismo rural ou em corridas, diz. Ele concorda que existe mercado para o comércio de animais, mas lembra que a concorrência é grande. Quem procura um animal para lida, procura o que tem de melhor, e sai caro deixar um animal pronto, analisa. -
Quarto-de-milhaOs pecuaristas, na maioria dos casos com grandes propriedades, também são exigentes na escolha dos animais para lida. Na avaliação de Costa Curta, o quarto-de-milha está entre as raças mais apropriadas para o Brasil. A pecuária é explorada de forma extensiva e exige animais com qualidades que o quarto-de-milha reúne, afirma. No caminho inverso, os pecuaristas que formam um plantel de cavalos da raça para a lida no campo, acabam se interessando na competição.
Quando se trata do quarto-de-milha, lembra Costa Curta, os criadores acabam incentivados a manter animais de competição, devido ao calendário e ao desempenho da raça. Ele lembra que, além de participar do circuito profissional de rodeios, o quarto-de-milha é largamente utilizado em cinco modalidades. A raça é como o clássico de futebol, tem em todas as regiões, atrai público e movimenta o mercado, compara. No País todo são mais de 500 mil animais, e os principais criatórios estão em São Paulo e no Paraná. Aliás em todas as regiões do Paraná, destaca.
Outra comparação com o futebol é na hora de avaliar os animais. O cavalo puro e bom de lida e competição é como um jogador de destaque, diz Costa Curta. Na média, um exemplar pode ser comprado por preços que variam de US$2 mil a US$3 mil. Um campeão, daqueles que o dono não vende mesmo, chega a valer US$40 mil ou mais, calcula. Mas o cavalo, não importa a raça, é destaque entre os criadores e apreciadores.
Papel socialPara Costa Curta, o animal cumpre seu papel social na união da família e na educação dos jovens. A convivência mostra ao jovem ou mesmo ao peão mais calejado que não é a força do animal que traz resultado, e sim um trabalho de conjunto, lembra. Apenas para ilustrar a presença do cavalo na economia, Costa Curta lembra que hoje, no Brasil, todas as raças juntas geram mais empregos que a indústria automobilística. Nos Estados Unidos, os cavalos movimentam US$1 bilhão ao ano.


