Curitiba - As cooperativas estão recorrendo às parcerias para criar volumes de vendas e elevar poder de barganha na hora da compra de insumos. Esta é a nova tendência entre as cooperativas que querem se manter competitivas, num cenário de elevada concorrência entre as empresas que atuam no ramo do agronegócios.
No Paraná, as cooperativas Witmarsum, de Palmeira (60 quilômetros de Curitiba), e Castrolanda, localizada em Carambeí, região dos Campos Gerais, firmaram um acordo de compra conjunta de insumos e venda de soja e milho que começa a vigorar a partir desta safra 2002-2003.
Inicialmente, a parceria vai envolver a compra conjunta de produtos agrotóxicos e fertilizantes e a venda de soja e milho. Os benefícios da parceria com a economia na compra de insumos serão repassados aos produtores, informou Prentice Baltazar Júnior, gerente da cooperativa Witmarsum.
Por outro lado, os produtores serão beneficiados com o aumento no volume de venda de soja, que deverá ser incrementado entre 15% a 20%.
A Castrolanda produz em torno de 110 mil toneladas de soja e a Witmarsum produziu 15 mil toneladas na safra passada. Baltazar reconhece que a Witmarsum sempre enfrentou dificuldades na hora de vender a produção de grãos, por falta de volume.
A cooperativa chegou a perder R$ 1,50 por saca de soja vendida na safra passada porque com um volume baixo de venda, as empresas de refino da região pagaram preço de balcão.
Por isso, a cooperativa está apostando na parceria com a Castrolanda, para elevar o poder de barganha com as tradings e multinacionais, que trabalham de forma organizada no mercado.
''Os produtores e vendedores de commodities devem se organizar também'', destacou Baltazar. Os benefícios dessa parceria, principalmente na venda conjunta de soja, serão distribuído entre os 200 cooperados da Witmarsum, acrescentou.
Com um volume de produção menor, os cooperados da Witmarsum poderão comprar todos os insumos necessários para o plantio, através da Castrolanda que também irá comercializar o produto. A proposta é que as cooperativas não percam suas identidades. Pelo contrário, elas devem continuar atuando junto a seus cooperados, ressalta Artur Sawatzki, presidente da cooperativa Witmarsum.
Para as próximas safras, os executivos dessas cooperativas estudam ampliar a parceria para compra e venda conjunta de outros produtos com os quais elas atuam, como leite e produtos derivados da pecuária. Para Marcos Prado, gerente da cooperativa Castrolanda, a parceria é resultado de uma nova visão administrativa que busca alianças estratégicas para atuação conjunta.
Nessa nova proposta de integração, bastante defendida no Fórum de Presidentes de Cooperativas, as cooperativas passam a se comportar como aliadas e não como adversárias.

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