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Londrina

Folha Rural 5m de leitura Atualizado em 15/10/2021, 19:56

Castro é o maior produtor de leite nacional

Mais de 300 milhões de litros ao ano são produzidos por cerca de 40 mil vacas leiteiras

PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de outubro de 2021

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

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Castro, na região Centro-Oriental do Paraná, é o maior produtor nacional de leite. A produção em 2019 alcançou 323 milhões de litros, representando 7,3% do volume total do Estado. Hoje, toda essa produção robusta vem de 40 mil vacas leiteiras, distribuídas pelas propriedades rurais do município.

Fabio Peixoto Mezzadri, médico veterinário do Deral (Departamento de Economia Rural) responsável pela análise conjuntural da pecuária de corte e leite, cita quatro pilares que garantem o status a Castro de grande produtora: genética, sanidade, nutrição e tecnologia.

“A tradição da imigração holandesa e alemã na região traz no sangue aptidão para a produção leiteira. Temos genética de ponta, sendo que produtores de outros Estados vêm aqui para buscá-la. A região tem uma terra boa e um clima bom para a produção do gado holandês, além de pastagens e nutrição de boa qualidade. Fora isso, é preciso destacar o uso de tecnologias de produção. Em Castro hoje a gente tem várias propriedades que utilizam robôs”, enumera.

Em todo o Estado, hoje são cerca de 90 mil produtores de leite. As três maiores bacias leiteiras paranaenses, segundo dados de 2019, são a região Sudoeste (municípios como Pato Branco, Francisco Beltrão, Chopinzinho), com a produção de 1 bilhão de litros; Oeste (Cascavel, Toledo e Marechal Cândido Rondon), com 817 milhões de litros; e Centro-Oriental (Castro, Ponta Grossa, Arapoti, Palmeira e Carambeí), com a produção de 705 milhões de litros.

No ano passado, o Paraná produziu 4,6 bilhões de litros, segundo dados do VBP (Valor Bruto de Produção) mais recente, referente à produção de 2020. “Neste ano, a previsão é que a produção se mantenha estável, por conta do ainda cenário instável ocasionado pela pandemia”, afirmou Mezzadri.

Sobre os preços do produto, levantamento feito pelo Deral mostrou que em julho deste ano foi pago R$ 2,21 pelo litro de leite ao produtor. Em junho o valor ficou em R$ 2,06, o que representa uma alta de 7,3% em apenas um mês.

“Tivemos queda na oferta por conta da estiagem, que reduziu a pastagem e aumentou o custo de produção, principalmente por causa da alimentação, que ficou mais cara principalmente por conta da alta do milho e da soja. Muitos produtores reduziram os custos, venderam animais, diminuíram alimentação. Tivemos queda na produção leiteira e consequente alta nos preços”, explica.

Mezzadri destaca que a produzir com eficiência, sanidade e maior qualidade, com redução de custos, é hoje o maior desafio dos produtores.

“É preciso diminuir a sazonalidade, ter alimentação estocada de boa qualidade durante o ano todo para ter uma manutenção da produção e não sofrer tanto o efeito do clima. Além disso, é necessário equilibrar essa conta entre o preço do leite e os custos de produção, aumentando a qualidade para exportar. Exportando a gente tira esse excedente do Paraná, do País e valoriza o produto internamente”, pontua.

O técnico acrescenta que hoje o Paraná mais importa do que exporta leite, principalmente do Uruguai e da Argentina. “Isso é prejudicial ao mercado interno, porque às vezes o leite chega de fora a custos muito competitivos e tem prejudicado o mercado”, conclui.

CELEBRAÇÃO

“Tudo o que eu tenho consegui pela pecuária leiteira”, comemora Neide Barreto, produtora de leite em Castro há mais de 30 anos, atividade que herdou do pai. Hoje, ela comanda sua propriedade de 9 hectares localizada no Bairro das Pedras.

No ano passado, a produção advinda da propriedade passou de 250 mil litros. Neste ano, a expectativa é de produzir 20% a mais, com uma estimativa de chegar a 300 mil litros. Ao todo, o plantel conta com 74 vacas leiteiras. 

Além de celebrar o aumento de produção, a produtora destaca a alta no preço do leite. “Em julho do ano passado, o preço do litro estava em R$ 2,16. Neste ano, o litro está custando R$ 2,47”, compara. Segundo Neide, a atividade vem sendo bem lucrativa, gerando uma margem de 30% de lucro.

“O maior desafio hoje são os custos de produção, principalmente no que se refere ao preço da ração”, destaca. Hoje, 100% da produção de Neide é comercializada para a Cooperativa Castrolanda.

RECORDE

Cooperativa que comemora faturamento recorde no primeiro semestre deste ano. Mesmo com a crise financeira, a marca atingida foi de R$ 2,6 bilhões, resultado 35% maior do que no mesmo período do ano passado.

“Estamos vendo um primeiro semestre muito forte, uma evolução dos números em relação ao ano passado. Nestes momentos de incerteza, garantir solidez financeira é até mais importante do que garantir resultados. E, neste ponto, a Castrolanda está mais forte do que nunca”, destaca Willem Berend Bouwman, diretor-presidente da cooperativa.

A Castrolanda conta hoje com cerca de 1.100 cooperados, sendo que 700 deles estão no município de Castro. 

A cooperativa presta todo o suporte aos cooperados, com fornecimento de insumos, assistência técnica, serviços de contabilidade, oferecimento de cursos, entre outros benefícios. “Com relação ao leite, diariamente são realizadas as coletas nas propriedades para então encaminhar às UBLs (Usinas de Beneficiamento de Leite) e produzir o leite e os produtos derivados”, explica.

RECEITA

Para se ter uma ideia da importância do negócio leite dentro da cooperativa, os produtos lácteos representaram, no ano passado, 31% da receita líquida – R$ 1,3 bilhão entre a receita total de R$ 4,3 bilhões. Na sequência vieram os produtos suínos (19%), soja (13%) e rações (7%).

Segundo Bouwman, a cooperativa é uma extensão da propriedade do cooperado. “Os cooperados são nossa razão de existir, então garantir a perenidade da Castrolanda passa por garantir a perenidade das atividades do associado. E a questão da sucessão e do fomento da participação das mulheres é de fundamental importância”, destaca.

Apesar de todas as dificuldades, a solidez da cooperativa superou esse cenário. “Seguimos com nossas atividades, absorvemos as produções dos associados, nossas fábricas seguiram em pleno funcionamento e o cenário atual, apesar de muito difícil, acabou não afetando de forma intensa o nosso setor”, conclui o diretor-presidente da cooperativa.

VBP

Dados preliminares divulgados pelo Deral mostram que o VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) do leite no Estado do Paraná registrou uma variação real (corrigida pela inflação) de 14% em 2020 em comparação ao ano anterior, subindo de R$ 6,1 bilhões para R$ 7,6 bilhões. 

O VBP é uma estimativa de renda gerada ao produtor com a comercialização da safra. No caso do VBP de 2020, com a venda da produção referente à safra 19/20.

Dentro do ramo da pecuária paranaense, a riqueza gerada pelo leite ficou em segundo lugar no ranking, atrás somente do frango (corte), que em 2020 registrou um VBP de R$ 21,7 bilhões.

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