Derivas de agrotóxicos acabam em encrenca entre vizinhos. São tão frequentes que na semana passada a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab) de Londrina reuniu técnicos do setor (assistência técnica, revendas, instituições de pesquisa, etc) para discutir o assunto. Com os preparativos para a próxima safra de verão, cresce a preocupação dos pequenos produtores de hortaliças e frutas com uma possível contaminação. Dados da Seab apontam que a maior parte das denúncias ocorrem entre os meses de setembro e outubro, quando os agricultores iniciam o plantio de soja e milho.
Segundo o chefe do setor de fiscalização do comércio e uso de agrotóxicos da Seab, Alvir Jacob, a ocupação contínua do solo, sem distinção entre áreas vizinhas, e a falta de cercas ou ''cortinas'' vegetais (árvores) nas propriedades rurais facilitam a contaminação das culturas mais sensíveis. ''Em muitos casos os produtores nem sabem o que o vizinho está plantando'', disse.
Como denunciar - Jacob explica que para denunciar a ocorrência de deriva, o produtor deve registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia ou procurar diretamente a Seab. ''Com a denúncia nas mãos, os técnicos da secretaria visitam as propriedades e recolhem as notas fiscais dos produtos para analisar se o produtor seguiu corretamente o receituário agronômico.''
Se a contaminação for comprovada, é aberto um inquérito policial que pode culminar em uma ação judicial. ''Mas na maior parte dos casos os agricultores selam acordos para evitar desgastes com a justiça'', declarou Jacob. Segundo ele, não existem multas, mas o valor das indenizações pode ultrapassar R$ 16 mil.
Jacob ressalta que a Seab recebe em média cinco denúncias ao ano. ''Muitos agricultores vão direto à delegacia e por isso, não sabemos com precisão quantos casos ocorrem em um ano.''
Controle De acordo com o engenheiro agrônomo Edson Consalter, chefe da defesa sanitária vegetal do departamento de fiscalização da Seab em Londrina, a deriva pode ser percebida no momento da aplicação do agrotóxico ou até mesmo após a colheita, quando o agricultor observa queda na produtividade e na qualidade da cultura afetada.
''O agrotóxico intoxica as plantas mais frágeis causando deformidade nas folhas e o aborto das flores. Em outros casos, a ação compromete a produção e o tamanho dos frutos'', afirmou Consalter.
Segundo ele, a regulagem do pulverizador, os bicos, a quantidade de água utilizada na solução e o horário de aplicação podem comprometer a pulverização. ''Por isso é necessário que o agricultor siga corretamente as recomendações técnicas ou as repasse ao funcionário que irá realizar o serviço'', completou.
O uso do equipamento de proteção individual, composto por máscara, chapéu, capa e óculos, também é importante. ''Muitos agricultores abrem mão da proteção por acharem a roupa muito quente, mas o equipamento é fundamental para evitar contaminações via pele'', concluiu Consalter.

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