O Parque Agrotecnológico do Oeste, iniciativa do Município de Cascavel, ao qual estão agregadas três fundações tecnológicas da região, está permitindo a consolidação técnica de uma indústria de sucos naturais, a Fort Frut, criada pelo bioquímico Mauro Alvarez. A indústria começou a funcionar na incubadora há 20 meses, e tem capacidade para produzir até 1.200 litros de sucos por hora, entre eles o único suco de bananas já fabricado no Brasil.
Tanques e setor de engarrafamento da industria de sucosA primeira variedade produzida foi suco de maracujá, seguindo-se abacaxi, acerola, laranja, e agora o suco de banana, o primeiro no mercado nacional. Mauro Alvarez diz que não encontrou apoio para montar a indústria em Maringá, onde fez o projeto. Em Cascavel conseguiu atrair a ‘‘Caspar’’, empresa que reúne cerca de cem pequenos investidores, ‘‘e, mais ainda, houve o interesse do Parque Agrotecnológico, com sua incubadora, laboratórios e técnicos’’. Mauro é um dos assessores técnicos do Parque.
FabricaçãoNa fábrica trabalham apenas sete pessoas (técnicos e auxiliares), no pico da produção (principalmente no verão). O processo é simples, e o diferencial está na formulação dos sucos, do tipo longa-vida, que duram até seis meses nas prateleiras dos supermercados, prontos para beber (embora podendo ser diluídos em até dois volumes), sem perder propriedades ou o sabor original. Algumas marcas nacionais oferecem o longa-vida, mas em concentrados, para serem diluídos em água.
O técnico de produção Alexandre Santos informa que a água utilizada para a mistura com a polpa das frutas é oriunda de poço artesiano do Parque, submetida permanentemente a análises e filtrada em filtro de carvão ativado na incubadora. Depois passa para um tanque onde se torna completamente estéril. Em outro tanque é acrescentado o açúcar, seguindo-se a filtragem microbiológica, para que não restem micropartículas. Finalmente, é adicionada a polpa, e o suco é envasado, em volumes de meio litro e 1 litro, com vasilhame plástico esterilizado.
Técnico em produção confere lotes de sucosProblema capitalProduzir, e com alta qualidade, é tarefa da qual a indústria se desincumbe com facilidade. Na incubadora, até por uma questão da limitação de espaço, foi montado um sistema compacto de produção, mas de alta produtividade. O problema começa quando o suco (com o nome fantasia Frutiri, que simboliza frutas da região do Vale do Piquiri) sai do barracão da empresa. Mauro Alvarez relata que a empresa ‘‘tem viabilidade financeira’’, mas falta capital de giro para expandir as vendas para outras regiões e Estados, garantindo a ocupação da capacidade de produção durante todo o ano.
Por enquanto, apenas 13% da capacidade são absorvidos com as vendas na própria região Oeste - onde o inverno é forte, e consequentemente, a venda de suco cai. ‘‘Não há linha de financiamento para o capital de giro, ainda mais para empresas incubadas’’, diz Mauro Alvarez, observando que o sistema de incubação - no caso de Cascavel, pelo prazo de 2 anos - ‘‘é altamente positivo’’, porque a empresa incubada não precisa investir em prédios ou equipamentos, apenas em pessoal. No entanto, a incubada não tem patrimônio, que sirva por exemplo como aval para empréstimos.
Há uma possibilidade de oferta de recursos, com fundo de aval, pela Agência de Fomento do Paraná, em organização pelo governo estadual, para empresas deixarem as incubadoras e se instalarem em locais próprios. Mauro Alvarez estima que, se houvessem condições financeiras para operar em capacidade plena, a indústria poderia chegar a um faturamento anual de R$3 milhões, com lucratividade entre 18% e 23%, ‘‘o que não é desprezível’’. Nas atuais condições, e já com o verão distanciado, no Oeste paranaense, a Fort Frut se limita a menos de 50% de seu potencial de produção.
Linha de produtos da fábrica montada no Parque AgrotecnológicoA empresa tem possibilidade de colocar no mercado nacional sucos dietéticos (com menos de 20 calorias por 100 ml), sem alteração do sabor, e produzir polpa para exportação. Isso ocorrendo, poderia surgir um pólo frutícola na região de Cascavel - por enquanto, a produção principal é de pêssego, ainda assim de qualidade apenas mediana. Por isso, a maior parte da matéria-prima vem de outras regiões, onde é melhor a qualidade da produção nos campos.
Parque O Parque Tecnológico do Oeste, a margem da BR-277 e a 15 quilômetros de Cascavel, integra as fundações tecnológicas local (Fundetec), de Toledo (Funtec) e de Marechal Cândido Rondon (Fundemarc), as únicas da região. Elas buscam recursos para manutenção da estrutura física, quadro técnico e equipamentos, e aproveitam os resultados de projetos desenvolvidos, dividindo receitas decorrentes da cessão de tecnologias a terceiros.
O presidente da Fundetec, químico Mário Bracht, observa que o Parque é o único, na América Latina, voltado ao desenvolvimento de novos produtos alimentícios. O complexo, com área construída de 3,7 mil metros quadrados, exigiu inicialmente investimentos de R$ 2,5 milhões, do Estado e Município de Cascavel. Nele, além de incubadoras e de laboratórios para o desenvolvimento de produtos, há laboratórios de controle inclusive para selo de qualidade para exportação. A proposta é de implantar uma ‘‘vitrina tecnológica’’, na qual serão exibidos equipamentos e projetos.

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