Casca de laranja vira material de construção sustentável
Grupo irá produzir amostras para testes de densidade e resistência na incubadora da UTFPR
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de dezembro de 2025
Grupo irá produzir amostras para testes de densidade e resistência na incubadora da UTFPR
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Um simples produto do agro, a casca de laranja, foi utilizado por estudantes do Colégio Cívico-Militar Darcy José Costa, em Campo Mourão, para produzir minitijolos e tijolos ecológicos.
A coordenadora do projeto e do curso técnico de desenvolvimento de sistemas, Juliana Nunes, explica que a ideia surgiu a partir da divulgação do 1º Desafio da Educação Profissional, promovido pela Secretaria de Educação do Estado.
“Ressaltei que os alunos deveriam montar projetos voltados à sustentabilidade, tema central do desafio. Eles disseram que tinham um projeto em mente, explicaram a ideia deles. Os alunos trouxeram minitijolos produzidos durante os testes, e foi impressionante ver o empenho e a curiosidade deles. Fiquei maravilhada com o entusiasmo e inscrevi o grupo na competição”, relembra.
Participam do projeto seis alunos da 1ª série do curso técnico de desenvolvimento de sistemas do colégio: Emanuel Henrique Smanioto da Cruz, Felipe Nascimento Américo, Gabriel de Freitas Machado, Gabriel dos Santos Molina, Vitor da Silva Reis e Vinícius da Silva Reis, todos com 15 anos.
Na etapa regional, via Núcleo de Educação, o projeto competiu com outros 14 projetos e o grupo saiu vencedor. No Hack Tech Paraná, o grupo foi reconhecido com menção honrosa na categoria de projeto mais inovador da competição, que avaliou propostas com base em critérios como aplicabilidade técnica, sustentabilidade e impacto social.
Agora, o grupo irá produzir amostras para serem submetidas a testes de densidade e resistência na incubadora da UTFPR (campus de Campo Mourão). Segundo a professora, os tijolos produzidos têm potencial para obras de baixo custo e menor impacto ambiental, além de representar uma alternativa sustentável ao uso da cal tradicional.
FUTURO
Na próxima etapa, testes vão verificar a resistência e a durabilidade do material. “Posteriormente, dada a comprovação da eficácia, acreditamos que materiais desenvolvidos pelos estudantes (que combinam resíduos orgânicos, como pó de casca de laranja, ao cimento tradicional) permitem reduzir o impacto ambiental da produção de cimento, uma das atividades industriais que mais emitem CO₂ no mundo, e, ao mesmo tempo, melhorariam as propriedades físicas do concreto, como resistência, durabilidade e isolamento térmico”, pontua.
O estudante Emanuel Smanioto da Cruz, 15, destaca que o principal objetivo do projeto foi transformar a casca de laranja, que normalmente seria descartada, em um aditivo capaz de melhorar o cimento e substituir parcialmente a cal, que é um material mais caro e com maior impacto ambiental.
“Queremos criar um produto mais resistente, sustentável e acessível. Além disso, buscamos entender na prática como a ciência pode resolver problemas reais e aprender mais sobre inovação, construção civil e responsabilidade ambiental, desenvolvendo algo que realmente possa fazer diferença no futuro.”
Felipe Nascimento Américo, 15, acrescenta que um projeto simples, feito dentro da escola e usando um resíduo tão comum, pode gerar uma ideia com potencial real para a construção civil.
“Queremos que outras pessoas vejam que a ciência e a sustentabilidade podem caminhar juntas e que, mesmo com poucos recursos, é possível criar soluções que fazem diferença na comunidade e no meio ambiente.”
Vinícius da Silva Reis, 15, considera que participar do projeto foi uma experiência muito importante.
“Aprendemos a trabalhar juntos, ganhamos mais confiança e vimos que somos capazes de criar algo útil e sustentável. Também passamos a entender melhor a importância da ciência e da responsabilidade ambiental, além de descobrirmos novas possibilidades para o nosso futuro”, conclui.


