Pecuaristas mineiros estão sendo incentivados a usar casca de café para alimentar bois em confinamento na produção intensiva de carne. A alternativa foi alvo de pesquisa da Epamig, que estudou o resíduo para a alimentação animal, como forma de reduzir custos do confinamento de terminação, que podem compor de 60% a 80% do custo variável de todo o ciclo de produção.
Segundo o pesquisador da Epamig, Adauto Barcelos, o sucesso na exploração intensiva de bovinos de corte, além de outros fatores, está relacionado à disponibilidade e o preço dos ingredientes utilizados na alimentação.
De acordo com Barcelos, combinados de forma adequada, alguns resíduos como a casca de café, permitem, se não um aumento na produção bovina (corte e leite), ao menos uma redução significativa nos custos com alimentação.
''A casca de café é um dos subprodutos da agricultura em maior abundância na região Sul de Minas e por isso foi testada para alimentação de bovinos confinados. Além de servir como alternativa alimentar, a casca, depois retorna às lavouras como adubo, através das fezes dos animais.''
O pesquisador avisa, no entanto, que o nível máximo que a casca de café pode ser incluída na ração concentrada é 40% em substituição ao MDPS (milho desintegrado com palha e sabugo) para novilhos confinados, de maneira a reduzir o custo da ração sem comprometer de forma significativa o ganho de peso dos animais.
Para quem vai usar o resíduo, Barcelos orienta que o material seja bem guardado, não tome chuva ou fique exposto a umidade.
No Paraná, segundo ele, no momento em que os produtores estão limpando o café na fazenda, a casca pode ser separada para alimentar os animais, não só em confinamento, mas também fornecida no cocho, misturada ou não a ração. Quem não tem o café, avisa, pode comprar o resíduo em cooperativas ou máquinas de benefício do grão.
O uso da casca, segundo o pesquisador, é uma boa alternativa a falta de milho para a ração, ou numa época como agora quando o preço do grão é elevado, na economia dos custos com a ração.
Segundo o pesquisador a utilização da casca de café nas rações de novilhos confinados, em substituição ao milho, é viável em todos os níveis, ''tornando-se um alimento alternativo e de baixo custo para os pecuaristas, principalmente àqueles envolvidos na atividade de produção intensiva de bovinos de corte.''
A maneira prática para uso na alimentação de bovinos, ensina Barcelos, é colocá-la diretamente no cocho sem moer. ''A casca de café pode ser fornecida para todas as categorias de bovinos, principalmente na época seca, onde a falta de alimento volumoso é evidente. O único cuidado é não ultrapassar a restrição de 40%.''
A recomendação é de 600 gramas de casca de café para 100 kg de peso vivo do animal, ou seja, um animal de 100 kg de peso vivo pode comer no máximo 600 gramas de casca de café por dia; um animal de 300 kg pode comer no máximo 1,8 kg de casca de café por dia.
A casca de café pode ser fornecida para os bovinos sozinha ou misturada ao volumoso. Quando usada no concentrado, avisa o pesquisador, é preciso respeitar os 40%, nível seguro para todas as categorias animais, como bezerros, novilhas, vaca em lactação, novilhos para engorda.
Estudo realizado pelos pesquisadores da Epamig, durante 98 dias, onde foi avaliada a substituição do milho pela casca de café mostrou que o resíduo é eficiente na relação de conversão alimentar e custo-benefício.
''Essa recomendação é somente para bovinos. A casca de café não deve ser empregada na alimentação de equinos, portanto o produtor deve ficar atento quando utilizar casca de café na alimentação de bovinos, não permitindo que os equinos - misturados ao gado - venham a comer casca de café.''

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