Concordamos com o professor da Universidade de São Paulo, Ariovaldo Umbelino de Oliveira, quando disse no caderno Folha Rural de 04/06, que ''o governo tem condições de cumprir sua meta e assentar 450 mil famílias sem precisar importunar os agricultores''. Entretanto, ao mencionar que ''desde 1500 o agronegócio é tido como importante, mas o que realmente fez pelo país?'', creio que, se realmente este for o seu pensamento, o docente desconhece a importância do setor agropecuário no contexto histórico brasileiro.
Vejamos, nossa economia sobrevive muitos anos, desde a era da colonização até os dias atuais, graças ao desempenho e a coragem dos produtores rurais. Primeiramente, foi com o cultivo da cana-de-açúcar e com a implantação da pecuária, depois com outros produtos como a borracha, o café, o algodão, a laranja, a soja, entre outras centenas de atividades. Penso ainda que a contribuição do agronegócio com a formação social do país também é outro ponto que deve ser destacado. Quantos imigrantes da Europa e da Ásia deixaram seus países para trabalhar nas lavouras brasileiras? Sabemos que milhares vieram colaborar para a miscigenação racial do nosso povo e contribuíram para o desenvolvimento do Brasil.
Além disso, a cadeia produtiva do agronegócio é responsável nos últimos anos por 38% dos empregos gerados no País; responde por 42% das exportações brasileiras; e as riquezas geradas pelo setor equivalem a 1/3 do Produto Interno Bruto (PIB). Pequenos, médios e grandes produtores rurais - com seus esforços - garantem o alimento da população brasileira, e ainda geram constantes superávits para a economia nacional. Será que o agronegócio - cuja espinha dorsal é a atividade agropecuária - é tão irrelevante assim?
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná

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