Ofertar ao consumidor brasileiro a mesma carne de qualidade que é destinada à exportação é o objetivo do programa Charolês Premium, elaborado pelo Núcleo de Criadores de Charolês do Norte do Paraná. O projeto teve início há um ano e, segundo o presidente do núcleo, Maurício De Paula, por enquanto, é executado apenas em Apucarana. ''Temos parceria com um supermercado da cidade e fornecemos, semanalmente, animais abatidos com até 18 meses de idade'', informou.
A idéia partiu do próprio pecuarista, interessado em agregar valor à carne que já vinha sendo produzida de forma diferenciada na fazenda da família, em Marilândia do Sul (34 km ao sul de Apucarana). Hoje, De Paula abastece o supermercado com quatro a seis animais por semana. O abate é feito em um frigorífico de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Já os cortes e a embalagem da carne são preparados no próprio mercado.
No supermercado, a carne do charolês fica exposta em um refrigerador diferenciado. As bandejas, com os cortes já prontos, são posicionadas junto às carnes concorrentes, mas com um selo que remete ao programa Charolês Premium. Para Valdenilson Vado Costa, dono do supermercado, a carne de charolês é mais uma opção para o consumidor que busca qualidade. ''O comprador também gosta de saber a origem do animal e consegue estas informações no selo que identifica o projeto'', afirma.
Costa conta que o produto já tem uma clientela fiel e que a tendência das vendas é aumentar ainda mais. O preço, cerca de 10% mais caro que a concorrência, não tem inibido a compra. ''Quem experimenta uma vez, compra sempre'', diz Costa.
É o caso do motorista Jair Tamião, de Apucarana, que sempre compra costela e cochão mole com o selo Charolês Premium. ''A carne é mais macia e saborosa e o preço não é tão diferente das demais carnes'', declara.
O veterinário Antonio Laércio Sversuti, responsável técnico pelo projeto, explica que o principal entrave para a participação de outros produtores é a dificuldade em manter a regularidade da produção. Hoje, apenas Maurício De Paula consegue fornecer o produto sem dificuldades. ''Outros três produtores estão adequando suas propriedades para o abate de animais precoces no prazo determinado pelo mercado'', aponta.
Para receber o selo do programa, o animal deve ser fruto do cruzamento industrial de um touro charolês ou canchim com uma fêmea zebuína. ''A matriz zebu confere rusticidade ao plantel, enquanto o reprodutor europeu tem a precocidade a seu favor'', explica o veterinário.
Outra característica típica da carne de raças européias é a pouca concentração de gordura entremeada na musculatura do animal, o chamado marmoreio. Esta vantagem garante sabor e maciez à carne.
Mas o diferencial do programa é mesmo a idade de abate dos animais, que nunca supera 18 meses. Além disso, a cobertura de gordura não pode ultrapassar 6 milímetros. ''A gordura tende a ser eliminada em todas as etapas de produção, no frigorífico, no açougue e até no prato. Então me pergunto, por que produzir com excesso?'', finaliza Sversuti.

mockup