Carne suína sem mistérios
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
A carne suína está cada vez mais presente na mesa do brasileiro. Nos últimos 15 anos, o consumo passou de oito para 13,1 quilos por habitante/ano, um crescimento de 63,75%. Os números parecem expressivos, mas não é esta a leitura da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). A entidade afirma que o mercado consumidor interno está aquém do que poderia ser. Segundo a ABCS, quase 50% da população brasileira prefere o sabor da carne suína. No entanto, 36% consome carne bovina.
A timidez ante aos suínos está aliada a fatores como preconceito, preço, conveniência, formato e associação com a obesidade. A falta de informação sobre o poder nutricional da carne suína e como é o processo produtivo dentro das granjas, ajudaram a criar uma visão errônea do produto. Mas a ABCS encontrou um modo de reverter o quadro.
Para criar um volume maior de apreciadores, a entidade lançou a Campanha ''em sete cidades, inclusive Curitiba. O objetivo é reestruturar a forma como o produto é comercializado no Brasil e acabar com certos mitos. O plano foi elaborado a partir de uma pesquisa com consumidores que apontou os hábitos e uma mudança de atitude do cliente em relação ao produto. Entre os resultados um dado que fez a cadeia produtiva repensar: o consumidor quer cortes diferenciados.
Um dos entraves, é a apresentação tradicional em peças grandes, como os pernis de oito quilos focados em Páscoa e festas de fim de ano. A campanha trouxe para mais perto do brasileiro, cortes já conhecidos e aprovados como a picanha, strogonoff, medalhão, alcatra, coxão mole, carne moída premium sem resíduos de gordura, entre outros.
''O brasileiro quer consumir uma carne bem cortada, preparada com capricho, em porções menores. Estamos trabalhando com frigoríficos nesta linha e com o consumidor no combate à idéia que a carne faz mal à saúde'', afirma o diretor do marketing da ABCS, Fernando Barros. Ele diz que a campanha privilegiou a formatação de dados que contribuissem para entender melhor os desejos de compra do brasileiro. A revisão dos cortes nasceu de uma leitura de informações da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras).
Segundo análise da própria Abras, citando o IBGE, a família brasileira diminuiu de tamanho, passando de 2,4 filhos por família em 1980, para 1,4 filhos, em média, hoje. Ao lado disso, a mulher conquistou um novo papel na sociedade - trabalha fora, tanto quanto o marido e não tem tempo de se dedicar à cozinha como antes. Outro fato importante baliza o comportamento do consumidor: a empregada doméstica deixou a condição de trabalhadora permanente para transformar-se em diarista semanal, voltada apenas para o serviço pesado. Assim, os alimentos da família são comprados semi-prontos ou prontos.


