Carne rende US$ 6 bi ao Brasil
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sexta-feira, 22 de outubro de 2004
Agência Estado e<br> Reportagem Local 
As exportações de carnes devem render US$ 6 bilhões em 2004, faturamento que tem crescido nos últimos anos. Entre 2002, a receita somou US$ 3 bilhões, ou seja, em dois anos o faturamento dobrou. As informações foram divulgadas esta semana pelo chefe do Departamento de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Donizeti Beraldo.
O Brasil conseguiu exportar carne para países que não eram tradicionais compradores. Por causa de problemas sanitários, grandes fornecedores mundiais, como os Estados Unidos e Canadá, têm restrições na venda para importantes mercados. ''O cenário de crescimento das exportações pode mudar com o retorno desses fornecedores ao mercado mundial'', afirmou Beraldo. A expectativa é de retomada das exportações desses países já no final do ano. ''Aí o cenário não será tão positivo para o Brasil'', avaliou.
A CNA aposta no fim do embargo russo à carne brasileira em novembro. A liberação pode ser anunciada durante visita de missão russa ao País, programada para o próximo mês, afirmou Beraldo. Ele admitiu que, se o assunto não for resolvido em novembro, haverá impacto na exportação prevista para 2004. O técnico calculou que, se a restrição for mantida, a receita cambial obtida com as exportações de carnes ficará de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões abaixo da previsão de US$ 6 bilhões para o ano.
O ministro interino da Agricultura, José Amauri Dimarzio, disse que ''os russos se comprometeram a priorizar a análise de relatório de 500 páginas entregue pelo Brasil''. O documento presta informações detalhadas sobre o programa sanitário do País e esclarece o registro do foco da doença em fazenda do município de Careiro da Várzea, no Amazonas. O registro levou a Rússia a suspender as compras. ''Acredito que pode haver uma resposta na semana que vem'', afirmou Dimarzio, que integrou missão que esteve na semana passada em Moscou.
O Brasil tem que envidar os maiores esforços para não perder o terreno conquistado com a carne bovina, segundo a CNA. Há barreiras sanitárias e alfandegárias. Países concorrentes estão de olho no Brasil, qualquer dúvida é suficiente para suspender as importações, ou denunciar aos organismos internacionais eventuais suspeitas que coloquem em dúvida a sanidade.
Soja - As exportações de complexo soja em 2005 devem render US$ 9,3 bilhões ao País, contra previsão de US$ 9,7 bilhões a US$ 10 bilhões em 2004. Beraldo citou os números para enfatizar a perspectiva de menor remuneração da agricultura em 2005. ''O cenário não será tão róseo'', comentou. Ele explicou que a produção de soja na safra 2003/04 foi de 50 milhões de toneladas. Para a safra atual, 2004/05, previsões indicam colheita entre 62 milhões e 63 milhões de toneladas.
''A produção será 25% maior, mas o recuo de preços internacionais não permitirá que a receita cambial cresça no mesmo ritmo'', afirmou. Parte da baixa de preços é justificada pela estimativas de produção nos Estados Unidos. Ele disse ainda que os preços internacionais da soja estão em queda e as perspectivas não são animadoras para o curto prazo.
No acumulado de janeiro a setembro, as exportações do complexo soja cresceram 38,3%, atingindo US$ 8,72 bilhões. Em relação a igual período de 2003, o crescimento é de US$ 2,4 bilhões. No período, a balança comercial do agronegócio apresentou superávit recorde de US$ 26,25 bilhões, 39,4% acima de igual período do ano passado. A receita obtida com os embarques cresceu 33,5%, indo para US$ 29,86 bilhões. ''As exportações do agronegócio no total das exportações brasileiras chegou a 42,5% do total'', afirmou.


