Não há crise quando a cadeia produtiva se une em prol de um objetivo comum. Pelo menos é o que demonstram as oito alianças mercadológicas de produção de novilho precoce do Paraná. Com foco no consumidor, grupos de pecuaristas de Apucarana, Cascavel, Guarapuava, Maringá, Paranavaí, Pato Branco, Umuarama e União da Vitória estão conseguindo driblar a crise com a comercialização de carne de qualidade a um preço diferenciado.
O segredo, explica o zootecnista Luiz Fernando Brondani, da Emater, está na produção em escala e na regularidade da oferta. ''Por isso a associação entre os produtores é tão importante. Quando um não tem boi terminado o outro tem de cobrir a demanda e vice-versa. Dessa forma o mercado sempre é atendido'', diz.
O grande gargalo da pecuária, segundo Brondani, sempre foi a comercialização. Com a atenção voltada para as demandas dos varejistas, os pecuaristas eliminaram os atravessadores da cadeia, tornando-se produtores de carne e não simplesmente de boi. ''Antes o produtor pagava a conta de todos os elos da cadeia produtiva. Hoje, ele divide as despesas com o supermercado'', aponta.
O abate é terceirizado e pago, em parte, com o couro e as vísceras do animal. ''O rendimento de carcaça é muito maior, já que o pecuarista continua sendo dono do animal que é abatido no frigorífico'', assinala Brondani. Segundo ele, o rendimento de um macho precoce (abatido com até 18 meses) pode chegar a 56%, enquanto o da fêmea alcança 52%.
Outra vantagem é o preço obtido por machos e fêmeas que, nesse caso, é praticamente o mesmo. De acordo com o zootecnista, hoje a arroba de um boi comum é comercializada a R$ 45, enquanto os animais precoces e superprecoces são comercializados a até R$ 54/arroba. ''A qualidade da carne garante o preço diferenciado'', reforça.
No total, calcula Brondani, 114 pecuaristas estão envolvidos na produção de carnes de qualidade no Estado. A maioria são pequenos e médios produtores, com propriedades, em média, de 40 alqueires. Outros 40 produtores indiretos fornecem bezerros para as alianças realizarem a terminação. Dez frigoríficos prestam serviço às associações que abatem mais de 2,5 mil cabeças por mês. No total, 47 varejistas compram e distribuem a carne de novilho precoce. ''No ano passado, as alianças faturaram mais de US$ 11 milhões e a projeção para 2007 é de duplicar esse valor'', calcula.

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