Carne produzida a base de pasto
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
A criação do boi verde ou ecológico apresenta-se como uma nova tendência da pecuária para o terceiro milênio. O pecuarista brasileiro tem alternativas tradicionais e mais conhecidas para tocar o seu negócio, no entanto, o chamado boi verde pode garantir maior espaço tanto no mercado interno como no exterior. O interesse por produtos saudáveis e naturais, com o menor uso possível de venenos, agrotóxicos, químicos e outros produtos, é cada vez maior.
O boi verde é um animal criado a pasto, de boa genética, com suplemento nos períodos de escassez de alimentos (seca), fornecido pela própria pastagem como feno, silagem ou capim cortado. Mas criar boi verde ou ecológico não é apenas mandar o boi para o pasto. Alguns cuidados são necessários, como cuidar da fertilidade do solo e do capim, da água e do ambiente; além de complementar a alimentação dos animais, seja com sal mineral e proteinado e o fornecimento de capineiras no período da seca.
Pouco investimento Segundo o Secretário de Desenvolvimento de Uberlândia (MG), Paulo Ferolla, para criar animais com uma produção natural ou ecológica, pode-se aproveitar as condições já existentes na propriedade. Não são necessários pesados investimentos em instalações, mão-de-obra ou outros setores, que oneram o projeto pecuário, garante Ferolla, que tem coordenado eventos para discussão sobre a produção do boi verde, reunindo nos últimos três anos em Uberlândia pecuaristas e técnicos de todo o País.
A produção do boi ecológico também tem sido tema de vários programas de produção desenvolvidos por associações de criadores. Tanto que a Associação de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) lançou no final do ano passado uma publicação sobre o assunto. No livro Nelore: o boi ecológico que está conquistando o mundo, oito autores entre criadores, dirigentes de associação de criadores, técnicos e pesquisadores, falam sobre o sistema de produção.
Bom gerenciamento Na proposta de técnicos e especialistas em pecuária e produção de carne a adoção do sistema não demanda, a princípio, grandes transformações, mas sim um melhor gerenciamento da propriedade.
Basta ter atenção especial à qualidade da comida oferecida aos animais, suplementá-los na hora certa exercendo um manejo simples, moderno, objetivo e pronto: é possível ter um boi pesando cerca de 17 arrobas e carcaça pronta em menos de 3 anos. Eles indicam o nelore como bem adaptado e rústico para ser criado no sistema a pasto, embora outras raças zebuínas também possam ser terminadas somente com pastagem.
Segundo a publicação, pesquisas indicam que o consumidor está propenso a pagar mais por produtos ecologicamente corretos e mais saudáveis. Outro benefício, está nos menores custos de produção com um animal pronto para o abate mais cedo e mercado comprador cada dia mais promissor. Como o animal está sendo criado dentro de todo um esquema de produção bem gerenciado há menores chances também de problemas sanitários, o que reduz a aplicação de medicamentos, custo de produção, e o transforma num produto mais natural.
Pecuária sustentável Outra forma de alimentação, para garantir bom desenvolvimento, tem sido o manejo rotacionado de pasto, dividindo áreas de pastejo, garantindo equilíbrio na dieta. Com esse manejo a parte sanitária do rebanho responde bem, sendo necessário menor uso de vermífugos e antiparasitários, utilizados de forma mais racional e em menor escala.
Com esses cuidados, os animais têm condições de enfrentar melhor o período de inverno e até manter a capacidade de engorda. As vantagens da criação do boi verde, enumeradas pelos técnicos são: ganho de tempo, qualidade da carne, potencial de exportação, preferência do consumidor e melhor custo-benefício.
O ganho em qualidade de carne está na idade de abate do animal. Como o boi abatido é um animal novo, sua carne é mais macia e de sabor mais apurado. O potencial de exportação se reflete no mercado mundial que valoriza muito esse tipo de carne.


