Carne e couro podem dobrar valorização do boi
Segundo o pesquisador da Embrapa, Edson Cardoso, um boi gordo vale, em média, US$ 320. Se o couro desse animal tivesse qualidade para aproveitamento total na indústria, seria possível fabricar, por exemplo, 25 pares de calçados e obter um total de US$ 350 com a venda desses sapatos no mercado internacional.
Segundo Edson Cardoso, dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), mostram que um boi, considerando a venda da carne e de um couro de qualidade, tipo exportação, pode valer hoje até US$ 700.
''Considerando que um boi pode valer quase US$ 700, se multiplicarmos esse valor por 32,5 milhões de bois abatidos no Brasil dá para ter uma dimensão da fortuna que o País está perdendo em não trabalhar o manejo correto do couro,'' avalia Cardoso.
Uma peça de couro cru, produto da desfola no frigofrífico, chamado também de couro verde, vale US$ 25 no mercado internacional. Nesse momento o couro não é mais comercializado por quilo e sim por peça.
A primeira fase na indústria é chamada de curtimento, o chamado couro tipo wet-blue, com cada peça de aproximadamente 4 metros quadrados valendo US$ 40.
No segundo estágio, quando o couro vai para o acabamento, para modelagem industrial que resultará em produtos, a peça passar a valer US$ 60 por unidade de metro quadrado. Na última fase, o couro pronto e acabado, o custo de unidade de metro quadrado é de US$ 80.
E o couro é apenas um dos subprodutos do boi. Pode-se também lucrar com outras fontes: a proteína do couro, por exemplo, também pode ser usada na alimentação (gelatina, sorvete, bolos, embutidos, outros) e na indústria farmacêutica (cápsula de remétidos, filmes de raio x). O lodo que resulta do beneficiamento inicial do couro, resíduo líquido rico em cal e nitrogênio, também pode se transformar em adubo para a propriedade.





