Carne cozida é saída para crise
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sexta-feira, 17 de março de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Enquanto muitos concorrentes estão fechando as portas em decorrência dos embargos causados pela incidência de febre aftosa em propriedades do Mato Grosso do Sul e do Paraná, o frigorífico Marfrig, com sede em Santo André (SP), ri à toa. Correndo atrás do prejuízo, a empresa resolveu investir na produção de carne bovina cozida congelada para continuar exportando.
Somente na unidade do Marfrig em Promissão (SP) 30% da produção já está voltada para o preparo de carnes cozidas. Segundo Renato Macedo, diretor de qualidade do frigorífico, o suco que resta do processo de cozimento da carne também é aproveitado na preparação do extrato de carne, usado na fabricação de caldos e sopas desidratadas. ''É mais um produto para agregar valor ao negócio da carne cozida, que salvou a empresa em época de aftosa'', analisa.
A produção atual é de 1,2 mil toneladas ou 10% do total comercializado pelo frigorífico. Metade deste valor é exportado e metade é consumido no mercado interno. O faturamento chega a US$ 4 mil/tonelada de carne cozida vendida. No caso da língua cozida, por exemplo, o rendimento é 60% superior ao produto fresco, calcula Macedo. Hoje a língua cozida é vendida a US$ 3,5 mil/tonelada, enquanto a fresca é comercializada a US$ 1,5 mil/tonelada.
Para poder investir na fabricação de carne cozida, a empresa deslocou ordens de produção. Nas unidades de Bataguassú (MS), Tangará da Serra e Paranatinga (MT) são produzidas as carnes frescas. Já a unidade de Promissão concentra a estrutura de cozimento da carne. Esta realocação da produção tem por objetivo driblar as barreiras sanitárias. ''Os embargos não têm comprometido as exportações, pois as barreiras sanitárias caem quando a carne é cozida'', explica o diretor do Marfrig.
Com ou sem embargo, o frigorífico espera crescer entre 20 e 30% este ano. A capacidade de abate e desossa também deverá aumentar em 50% com os investimentos no crescimento das unidades. No total, já foram investidos R$ 24 milhões nas plantas de Promissão, Bataguassú e Tangará da Serra. ''Também está sendo construída uma nova unidade em Porto Murtinho (MS), que responderá pelo abate diário de mil cabeças, perfazendo um total de 6,6 mil toneladas de carne desossada por mês'', aponta Macedo.
Hoje, a balança comercial da empresa é balaceada, garante o diretor de qualidade do Marfirg. ''Isso porque importamos muitos produtos do Mercosul'', diz. O momento é de otimismo. ''Estamos ocupando um nicho deixado por outros frigoríficos que estão abandonando o mercado devido às barreiras sanitárias'', comemora.


