- De janeiro a agosto as exportações cresceram 39% em relação ao mesmo período de 2002; aumento anima o setor pecuário
- Epsódio da febre aftosa na Argentina, no início do mês, também contribui com o clima de euforia
- Ações nas áreas produtiva, política e comercial são fundamentais para a conquista do mercado
- É preciso deixar a euforia inicial e tomar medidas de ajustes na pecuária brasileira para que o País possa sustentar o papel de maior exportador do mundo, recomenda especialista


A pecuária brasileira está preparada para atender a um possível aumento na demanda internacional pela carne bovina? Esta é uma pergunta que muitas pessoas da cadeia da carne já se fazem.
Desde agosto, quando as exportações bateram a casa dos 39% no aumento de envio do produto ao exterior em relação ao mesmo período (janeiro a agosto) do ano passado) de 2002, um ar de otimismo toma conta do setor.
Para ajudar o cenário, houve o episódio da febre aftosa na Argentina, no início do mês. Lideranças do setor produtivo passaram a jogar com possibilidades de fechar o ano com um porcentual ainda maior a 1,3 milhão de toneladas previstas anteriormente. Há quem acredite em 1,5 milhão de toneladas.
Em 2001, quando a Argentina saiu do mercado externo por problemas sanitários no rebanho e os casos de vaca louca começaram a aparecer em outros países fornecedores de carne para o mundo, o Brasil ampliou sua clientela e as exportações da carne brasileira começaram a crescer. E não pararam mais.
O caso de aftosa na Argentina, mesmo que não prejudique vendas globais daquele país, pode, na opinião de agentes da cadeia da carne, estimular a compra em outros fornecedores e o Brasil seria o primeiro da fila.
Para atender a uma possível demanda crescente, no entanto, o País deve buscar algumas ações nas áreas produtiva, política e comercial. Só se consegue conquistar mercado quando condições como preço, qualidade, constância e confiabilidade são atingidas.
Outro ponto positivo, segundo analistas do setor, é que o governo acena com a melhoria no consumo interno de carne, por meio de políticas sociais e econômicas que elevem a renda da população.
As conjunturas, portanto, são animadoras, revela o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Kepler Euclides Filho. Ele lembra, no entanto, que algumas medidas, como as já citadas, precisam ser tomadas para que este novo cenário se sustente.
''O Brasil tem condições de oferecer maior volume de carne no mercado externo, mas para isso é preciso cumprir as exigências dos compradores e ficar atento quanto ao controle das questões sanitárias,'' lembra Kepler.
Ao mesmo tempo em que o caso de aftosa na Argentina pode afastar os clientes de lá e atraí-los para o Brasil, o fato também coloca em jogo toda a imagem da América do Sul, de um Continente, para que outros concorrentes possam 'jogar areia' nesse futuro tão promissor,'' alerta.
Na opinião de Kepler, é preciso deixar a euforia inicial e tomar medidas de ajustes na pecuária brasileira para que o País possa sustentar o papel de maior exportador do mundo.
Segundo ele, governo, setor produtivo, indústrias e líderes do setor estão discutindo mudanças no Sistema Brasileiro de Identificação Bovina e Bubalina (Sisbov) que possam atender a todos os envolvidos no setor e ampliar a rentabilidade da produção e comercialização de carnes.
O destaque atual é o projeto de implantação do sistema de classificação de carcaças, discutido pela Câmara Setorial da Cadeia de Carne Bovina, que deverá, segundo ele, sair do papel em 2004, assim como o sistema de classificação para o couro.
Esses incentivos, de acordo com o pesquisador, somados ao mercado potencial para exportação, deverão incrementar o investimento na produtividade da pecuária e será possível atender qualquer aumento de consumo, seja ela interno ou externo.

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