Comandatuba A carne brasileira pode conquistar mais uma parcela do mercado internacional se investir na sanidade e no marketing. Essa é a opinião do presidente da Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Marcus Vinícius Pratini de Moraes. Pratini foi um dos palestrantes do AgriForum, realizado esta semana na Ilha de Comandatuba, Bahia, e falou sobre as ''Tendências de Mercado, Oportunidades e Desafios para a Carne Brasileira no Mercado Internacional'' para cerca de 100 dos maiores produtores de soja, algodão, cana-de-açúcar e carne do Brasil.
Para Pratini, até 2010, a população mundial vai atingir a casa dos 7 bilhões de pessoas e o consumo de carne, 175 milhões de toneladas. ''O Brasil tem condições de pegar uma boa parcela de mercado - poderemos exportar mais e melhor, entre 5 e 7 milhões de toneladas. Hoje, nossa exportação está em torno dos 25% do mercado com 1,9 milhão de toneladas exportada. Podemos crescer muito, principalmente porque o Brasil é a última fronteira agrícola do mundo. Somos os únicos que tem terra para expandir a produção'', afirmou.
Segundo ele, a melhor aposta é investir grosso nos mercados emergentes, países em desenvolvimento. ''Uma pesquisa mundial aponta que a primeira coisa que a pessoa faz quando recebe aumento no salário é levar um bife para casa. E é isso que esses países estão fazendo, comprando mais carne, melhorando a alimentação da população'', explicou.
Mercados como Estados Unidos e Japão devem ser mantidos só como nichos especiais, em corte diferenciados, disse Pratini. ''Muitos pensam que aumentamos nossa exportação por causa da vaca louca nos Estado Unidos mas isso não é real. Nós não vendemos para a área de clientes dos EUA. Quem conquistou o mercado dos Estados Unidos foi a Austrália. Nós vendemos onde eles não vendem'', garantiu.
Para Pratini, em volume de exportações de carne não há concorrentes diretos ao Brasil, ''mas precisamos aumentar o volume de dinheiro também. E só vamos poder conseguir fazer isso se houver uma política econômica séria, revendo essa política tributária - baixe os impostos que a receita cresce porque acaba com a sonegação - e a alta taxa de juros. Enquanto esse País for pobre o dólar tem que ser caro'', disse.
Segundo o presidente da Abiec, é o agronegócio que sustenta o PIB brasileiro e ''segura o saldo da balança comercial e os empregos no País''. ''Por isso, é preciso mais apoio do governo para o setor. Vamos deixar o assistencialismo de lado. Vamos dar apoio ao produtor, que vai gerar mais emprego. Essa sim é a verdadeira distribuição de renda'', apontou.
(*) A jornalista viajou a convite da It Mídia, organizadora do AgriForum

mockup